Brincando de Larry King

05/01/2011

King - 1000 anos de entrevistas

Algumas entrevistas que fiz para a Época em 2010 fizeram mais sucesso que outras. E uma coisa ficou óbvia, nem sempre o interesse jornalístico combina com o interesse do leitor. Por isso, seguem as mais importantes dos últimos 3 meses.

A que fiz com Joe Jackson foi marcante. A cada hora que passava ela ficava melhor e mais importante. Começou com um ping-pong na livraria Saraiva do Shopping Eldorado e terminou com um jantar no Figueira Rubaiyat.

Com Matthew Lewis da série Harry Potter ficou um convite no ar para jogar Fifa no Xbox.

A entrevista com Peter Hunt foi uma aula extracurricular, assim como a entrevista do Cid Moreira que naquele dia da entrevista teve 3 assuntos no seu Twitter: Os Salmos, Jesus e Julio Lamas.

Foi gostoso brincar de Larry King, mas chega de Época agora. O próximo post será uma exclusividade do Notas.

Entrevista com o especialista em Literatura Infantil Peter Hunt sobre o sucesso da série Harry Potter

Entrevista com o ator Matthew Lewis, o Neville Longbottom na versão de Harry Potter para os cinemas

Entrevista com Joe Jackson (pai de Michael Jackson) no lançamento do livro ‘O que realmente aconteceu a Michael Jackson’ de Leonard Rowe

Entrevista com Cid Moreira

Entrevista – Rui Amaral

02/01/2011

Galera fã do NOTAS (oi pai, oi mãe!) segue uma entrevista minha com o artista Rui Amaral que estava na gaveta faz muito tempo. Foi feita em 2008 quando eu ainda estava pensando em fazer um documentário sobre graffiti. Em 2010, esse documentário virou realidade e é o “Graffiti – Arte Bruta”, um projeto produzido por mim, Felipe Gomide e Raphael Sassaki. Vou colocar aqui um link para dowload assim que puder.

Tenho que pedir desculpas a mim mesmo e a qualquer leitor ocasional (oi meninas que me acham bonitinho e tiveram curiosidade!) que por aqui passou em 2010, acreditando na promessa de frequêcia maior de posts feita ano no ano passado. Fiquei um ano sem postar, pois estava ocupado trabalhando no “Graffiti- Arte Bruta” e vendendo o talento para a revista Época – a segunda maior revista semanal do país. Por lá, trabalhei com o Juliano Machado na editoria de Internacional, com Paulo Moreira Leite (lenda viva!) na coluna “Vamos Combinar” e com Luís Antônio Giron na editoria de Cultura. Com todos aprendi muito, mas ainda guardo a impressão de que poderia ter feito mais. “Quando Neymar quer jogar, não falta ‘Dorivais’ para barrar”, um amigo uma vez me disse.

Tenho ótimas entrevistas desse período na Época. Vou postar algumas assim que o período de quarentena acabar.

2011 que venha…vou recompensar pelo tempo perdido e continuar a pagar os juros do tempo ganho.

 

Graffiti de Rui Amaral no "Buraco da Paulista"

Rui Amaral – Graffiti e Pixação, linguagem urbana

Considerado um dos mais influentes artistas do graffiti no Brasil, o multimidiático Rui Amaral integra o panteão da primeira geração da arte urbana em São Paulo, surgida no fim da década de 1970. Um criador inquieto e versátil, ele explorou diversas plataformas como a animação, a toy art e a produção de vídeos.

Formado pela FAAP em Artes Plásticas, Amaral teve exposição de seu trabalho na Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC, MIS, Funarte e MAP, além de possuir obras suas no acervo do MASP.

Diretor-geral da agência Artbr (www.artbr.com.br), já realizou projetos de design gráfico, animação e produção de arte multimídia em parceria com a Rede Globo, Rede Bandeirantes de Televisão, o jornal O Estado de São Paulo, StarMedia, Nestlé, Instituto Sócio Ambiental, Swatch, entre outros. Trabalhou também na criação de sites para as agencias de publicidade DM9 e O2. Além disso, é responsável por workshops e oficinas de graffiti e intervenção urbana.

Suas obras pós-modernas, que remetem ao universo da imaginação infantil e da modernidade urbana, podem ser encontradas em diversos pontos da cidade, como a que está no “Buraco da Paulista” – túnel que liga a Avenida Doutor Arnaldo à Avenida Paulista – e foi tombada como patrimônio artístico pelo Estado. “A excelente qualidade da produção pessoal de Rui Amaral poderia levá-lo a caminhos já traçados pela maioria dos artistas plásticos, seus conterrâneos. Mas, ciente de seu papel social, Amaral atua, e com arte refaz não apenas cenograficamente, a sua cidade: São Paulo”, resume o crítico e historiador da Aica/Unesco João Spinelli.

Nesta entrevista ao NOTAS, ele conta sobre o seu trabalho, a valorização do graffiti brasileiro como arte no mundo e os obstáculos internos, como a Lei Cidade Limpa. Expõe também a sua opinião sobre pixação, novas tecnologias e a necessidade de estímulo a cultura.

NOTAS – Em 2008, a Prefeitura de São Paulo apagou acidentalmente um graffiti d’Os Gêmeos na Radial Leste, o que gerou muita polêmica com a Lei Cidade Limpa. Como você vê a relação entre a arte urbana e essa legislação em vigor na cidade de São Paulo?

Rui – Apesar dessa Lei, eu e muitos outros artistas estamos aos poucos estabelecendo um diálogo prolífico com as autoridades. Muitos espaços “nobres” foram abertos em toda cidade, pontos de ônibus e outdoors, por exemplo. Espaços que podem ser aproveitados pela arte de rua para revitalizar e criar uma cidade mais bonita com arte popular e integração social.

Porém, no lado negativo da questão, muitos trabalhos bons de artistas conceituados, como os Gêmeos, foram apagados, ou correm o risco de serem apagados. Por isso esse diálogo com as autoridades responsáveis como Andrea Mattarazo e Regina Monteiro tende a envolver questões relacionadas à formação desses agentes públicos, responsáveis pela execução da Lei. É preciso, creio eu, que haja participação desses agentes em oficinas e workshops de arte de rua, uma maneira de conscientizar sobre a sua importância e treinar o olhar para o que deve e o que não deve ser apagado pela tinta cinza. Eu e Os Gêmeos sugerimos algo nesse sentido para o Andrea Matarazzo e a Regina Monteiro, diretora do EMURB, como uma palestra para esclarecer melhor o assunto.

NOTAS – Já apagaram alguma obra sua?

Rui - Para você ter uma idéia de como isso acontece, pintamos os postes aqui na rua do meu ateliê apareceram agentes de fiscalização da [Lei] Cidade Limpa para apagar o trabalho. No mesmo momento fui conversar com o responsável e explicar para ele que aqueles desenhos não eram o que ele pensava. Trocando opiniões, ele entendeu e manteve. Inclusive ele mesmo contribui com alguns desenhos (risos).

NOTAS – Como um dos pioneiros da arte urbana em São Paulo e, consequentemente no Brasil, você vê a evolução da mesma ao longo dos anos?

Rui – É uma arte que surgiu do vanguardismo de artistas como Alex Vallauri e de grupos como o TupyNãoDá, do qual fiz parte, na década de 1980 e hoje passa por esse momento especial.

Vejo a evolução do graffiti muito relacionada como a evolução do skate, por exemplo, pois também foi um elemento na criação da cultura urbana que surgia na época em São Paulo. Quando jovem eu andava de skate com amigos nas ruas do Morumbi e tínhamos que jogar as pranchas em terrenos baldios sempre que a polícia passava por nós, justamente pra evitar que fossem confiscados. Hoje a cultura do skate é uma indústria absorvida pelo mercado, está envolvida na moda, nas artes gráficas, entre tantas outras coisas. O graffiti começa a passar por esse momento da absorção, da legitimação pelo mercado, a custo de muita iniciativa de artistas gráficos, como eu, além de projetos sociais que são realizados nas comunidades carentes, onde o graffiti e mesmo a pixação, são uma linguagem da realidade urbana vivida por eles.

NOTAS – Qual a importância do graffiti brasileiro no mundo?

Rui – Desde os anos 80, nossa arte tem chamado a atenção lá fora, o que começou com projetos em parceria com instituições como o Adido Cultura da França, galerias e museus na Europa que colocaram os artistas “brazucas” em destaque e atraíram mais gente olhando pra cá.

Eu sempre brinco que temos os “Ronaldinhos” da área. O maior exemplo atual são Os Gêmeos e o Nunca, os seus trabalho chegaram no Tate Modern Museum de Londres, em Nova York, em tantos lugares que são os sonhos de qualquer artista no mundo. Além deles, outros artistas foram responsáveis por essa consolidação mundo a fora do graffiti brasileiro e sua profissionalização, como eu,  Ozeas Duarte, Celso Gitahy, Maurício Villaça, Vado do Cachimbo, Nina, Titi Freak, Onesto, C.A.L.M.A, tantos que é uma injustiça não citar.

NOTAS – Que funções a arte urbana pode exercer diretamente na sociedade?

Rui – A arte urbana é democrática, porque é uma intervenção para a apreciação dos cidadãos de todas as classes sociais. Instiga, intriga e questiona, estimulando o “pensar a cidade” de maneira integradora. É uma ferramenta inteligente quando se trata de jovens, pois tem apelo entre aqueles que estão em busca cultura e querem aprender a fazer uma arte com a qual se identificam e que faz parte da sua realidade.  Além da cultura e da construção de um senso estético para o jovem carente.

Ontem, por exemplo, estive em cidade Tiradentes trabalhando com um projeto social para o graffiti. Uma líder comunitária me dizia o quanto é difícil fornecer uma ocupação cultural para aqueles jovens, a quantidade de jovens ociosos é impressionante em lugares de condições precárias é impressionante. O graffiti insere e cria uma porta de entrada ampla para o jovem que pode enveredar também para a fotografia, musica, computação gráfica, internet e comunicação.

NOTAS – Quais projetos seriam interessantes para ampliar essa essência integradora da arte?

Rui – Em São Paulo temos muitos projetos acontecendo, temos pontos de cultura que trabalham nesse sentido em diversas regiões, carentes ou não. Acho que algo nos moldes de um museu da arte urbana poderia potencializar esse efeito aglutinador, além de e estimular a pesquisa, a criação e a coordenação dos diversos projetos de grafite que já existem. Enfim, a construção de uma central da arte urbana em São Paulo que atuasse na divulgação do artista brasileiro que está nessa área, e fomentasse a carreira de iniciantes, incluindo aí os pichadores, por que não? É importante que uma idéia assim possa acontecer com a participação deles também, envolvendo os mais diversos tipos de linguagem e idéias, pois se trata de algo que nasceu popular e contestador.

NOTAS – Existe um limite entre a pichação, considerada contravenção penal devandalismo,e o grafite?

Rui - A origem do grafite é ilegal, a pichação que trata-se de uma arte ativista, com intenção de cutucar e contestar o poder publico. Mas hoje esse caminho da depredação é reprimido da maneira errada. Quem faz isso, o grafiteiro ou pichador de guerrilha, não está simplesmente vandalizando, está perguntando por que a cidade tem que ser cinza, por que tantos problemas sociais e desigualdade onde vive.  Uma ação que combate, que bate de frente com outras pessoas é sempre um pouco complexa, por não se entender os motivos por trás disso.

NOTAS – Como valorizar esta arte?

Rui – Pra mim, como artista já reconhecido dentro da arte urbana, passou o momento da guerrilha. Durante a minha carreira criei diálogos e abri canais que tiram um pouco dessa força. Não sou um purista, acho que tudo pode ser entendido com o tempo, o grafite já foi incorporado, a pichação também pode vir a ser.

Apoio a sua valorização como arte até por ser uma entrada para a linguagem e a realidade desses jovens. O modernista Oswald de Andrade resumiu bem isso que estou tentando dizer quando escreveu que “A massa ainda comerá o biscoito fino que fabrico”.

NOTAS – O poder público tem contribuído para esta valorização?

Rui – Dentro do possível, sim. Mas é preciso criar mais oportunidades para o jovem que se interessa por arte urbana, inserir ele numa infra-estrutura bacana com atenção para as condições precárias em que ele vive e partir para ações que embelezem e revitalizem o espaço público. Tanto quem faz, como quem gosta do graffiti quer ver arte e cultura por toda a cidade, reviver um pouco do sentimento que foi vivido na Belle Époque francesa, quando a inovação podia ser encontrada livremente. Contribui para o mundo e contribui para o mercado. Mas para que isso aconteça é preciso qualificação de muitos jovens para aprender a fazer pintura. Um lugar que formasse profissionais para fazer esse serviço, pois a arte urbana é uma arte de massas e tem um mercado crescendo.

Quando digo das massas, penso na mesma justificativa que o Grupo Santa Helena de utilizava na década de 1930. Eles tinham como objetivo ser um grupo da arte operária, uma arte das massas, exatamente onde o graffiti nasceu e evoluiu.

NOTAS – Quais são as tendências no futuro da arte urbana?

Rui – Cara, aposto muito na internet, nas novas tecnologias, ferramentas fantásticas que vão “linkar” tudo e potencializar demais as atenções na arte em geral. O graffiti tem muito espaço de ação com a webart na rede. Eu mesmo já fiz sites, animações e logos para internet, além do meu próprio site, o Artbr (www.artbr.com.br) que agrega notícias sobre o meu trabalho e diversas ações de publicidade de projetos do meio cultural e artístico. E-learning também é uma alternativa que se abre com a banda-larga, sou um dos coordenadores junto a Fundação Hermínio Ommeto na segunda experiência brasileira de tentar concretizar esse projeto com a produção diária de vídeos para mais de 400 alunos.

Papai Noel de primeira viagem

23/12/2009

Me diverti fazendo uma boa ação, mas devo admitir que Papai Noel com 1,90 m de altura e magrelo do jeito que sou não engana ninguém. “Poxa Papai Noel, desde quando você usa brinco na orelha e é tão alto assim? “, perguntou um bom observador.

Eu: o Papai Noel que não engana ninguém

O que valeu de tudo isso foi abraçar e ser abraçado com uma sinceridade e uma ternura que me colocaram no faz-de-conta também.

Obrigado a todos que comentaram no Notas em 2009 e apoiaram este projeto. Em 2010 vou trabalhar na Editora Globo e cuidar de TCC, mas não se preocupem que a frequência de posts vai aumentar.

Bom Natal e Feliz Ano Novo!

Dona Bia (minha vó) só me coloca em enrascada, hein?

A boa lição e a má educação

13/11/2009
um burro que usa batom

O silêncio vale ouro, quando não se tem nada a dizer.

Resposta à Rosângela Petta

30/10/2009

Uma reposta à jornalista e professora da Cásper Líbero que coloca em seu blog:

“qüiproquó de hoje

O pior cego é
aquele que não quer ler”

Olá!

Pessoal, nesta semana meu grupo de reportagem para a Petta fez sua apresentação, como todos devem lembrar devido ao clima de animosidade que se instaurou no debate com a professora. Antes de qualquer coisa, me desculpem pelo meu comportamento impaciente e indignado. Saibam que em nenhum momento quis desrespeitar vossa opinião.

Contudo, não posso deixar de defender o bom trabalho do meu grupo perante as acusações de invenção e ingenuidade colocadas pela professora Petta para a toda sala. Acredito que fizemos um bom trabalho da criação da pauta à tentativa de uma apresentação em sala e tenho plena confiança nos dados apurados por mim e por meus colegas.

Neste e-mail mostrarei as evidências, referências e fontes nas quais estou baseando essa confiança. Trata-se de uma matéria apurada em cada detalhe e ponto discutido pela professora. Muitos desses dados foram checados mais de 3 vezes por mim em diferentes ocasiões. A primeira pesquisa que fiz foi para o trabalho de Radiojornalismo realizado para a professora Verinha. A segunda vez foi para montar o texto que vocês leram na terça-feira. E a última, depois da apresentação, quando liguei para alguns jornalistas que já publicaram matérias a respeito do filme Rota Comando e para o diretor Elias Junior para checar todos os dados passados por ele.

Portanto, não se trata de uma questão de sofismo acadêmico, prática cujos méritos reservo para a professora Petta e sua atitude em sala revestida de politicagem barata e mesquinha. São os fatos pelos fatos. Se vocês leram até aqui, peço que tenham um pouco mais de paciência, pois vou apresentar as provas da nossa certeza:

1. Trecho (em negrito) do nosso texto questionado por sua veracidade pela professora Petta:

“Depois do sucesso alcançado por capitão Nascimento, personagem principal de Tropa de Elite, o filme Rota Comando do diretor Elias Júnior chegou ao mercado dos DVDs piratas em julho deste ano sem escala nas salas cinemas. Mesmo assim, desde a sua produção o filme gerou grande expectativa entre o público e a imprensa – próxima a que podia ser sentida com a chegada de Tropa de Elite em 2007. No mercado informal, estima-se que o filme superou em vendas a animação infantil A Era do Gelo 3, filme em formato doméstico mais assistido do primeiro semestre deste ano. No entanto, em vez de ascender ao estrelato, parece que o fracasso bateu às portas da produção paulista.”

Colegas, obviamente não existe uma pesquisa formal que apresente dados precisos de vendas no mercado pirata de DVDs. Por esse motivo fizemos uso do termo estima-se, derivativo de estimativa. Segundo o dicionário de língua portuguesa Novo Aurélio em sua versão mais atualizada: “3. valor numérico do estimador, obtido a partir de uma determinada amostra empírica”.

Logo, como foi obtida essa amostra referente ao filme Rota Comando ao mercado pirata de DVDs? Simples, quando fiz minha primeira reportagem para o trabalho de Radiojornalismo, fui num sábado à tarde ao centro de São Paulo, mais especificamente ao Vale do Anhangabaú e perguntei a muitos camelôs sobre as vendas do filme Rota Comando. Obtive como resposta, muitas vezes, os valores de 80 a 100 cópias vendidas, em média, diariamente. O filme ultrapassa, de fato, a venda de Era do Gelo 3 no mercado informal naquele período.

Não sou o único, o primeiro, muito menos o último jornalista a fazer uma pesquisa, mesmo que informal, dessa maneira. A jornalista do caderno de Cotidiano da Folha de São Paulo, Laura Capriglione, com quem conversei na quinta-feira desta semana (29/10/09), utilizou do mesmo método de apuração para uma matéria sobre Rota Comando – na região da Santa Efigênia na manhã do sábado de 18 de julho de 2009. No domingo, dia 19 de julho, foi publicada a matéria sob o título “Filme que elogia a Rota vira hit em camelôs” na página C7. Transcrevo o lead do texto de Capriglione:

“‘Nós somos a verdadeira Tropa de Elite’, grita um soldado com a boina preta e o braçal da Rota no filme que, lançado há uma semana, já é responsável pela maior fatia de faturamento das bancas de DVDs piratas no centro de São Paulo (ganha inclusive do infatil ‘Era do Gelo 3’ – e época de férias)”

No link Rota Comando (Reportagem 16) vocês podem confirmar o mesmo.

Em outro jornal, o Diário Regional de Diadema (que inclusive teve seu nome e seus profissionais ridicularizados em sala pela professora Petta), a repórter Maria Helena Medina, utilizou o mesmo método de apuração para uma matéria publicada na sexta-feira 24 de julho de 2009 sob o título “Rota domina camelôs”. Abaixo o trecho, o lead de sua reportagem que corrobora a minha posição:

“Depois de Tropa de Elite agora uma outra produção, que só é encontrada em DVD, é sucesso nas férias de julho. Desbancando o novo Harry Potter, A Era do Gelo 3 e Transformers nas barracas dos camelôs de São Paulo, a produção Rota Comando – O Filme é o campeão de vendas do mês. A quantidade média comercializada entre os ambulantes fica entre 80 e 120 cópias por dia.”

No link Rota Comando (Reportagem 15), pode ser visto claramente.

Não o suficiente, tenho ainda uma terceira jornalista, Débora Miranda, do portal G1 (Leia-se GLOBO) que no dia 22 de julho de 2009 publicou às 11h28 a matéria “ ‘O trabalho da Rota sempre me fascinou’ diz diretor da versão paulista de Tropa”. Ela fez uso dos dados apurados por outros jornalistas de publicações sérias. No olho da matéria lê-se claramente:

“Lançado em DVD, Rota Comando mostra divisão de elite da PM. Produção independente de 600 mil virou hit nos camelôs de São Paulo”

A comprovação está na reportagem do G1.

Ciente dos fatos e das fontes que usei para fazer o trabalho de reportagem, como eu e meu grupo podemos ser acusado de inventar um fato e publicar uma mentira sem nos sentirmos ofendidos e constrangidos perante nossos colegas? Não queremos estar certos, ou errados. São os fatos que se colocam contra a renomada jornalista e autoridade em sala Rosangela Petta e expõem sua falta de razão e ignorância.

2. Quanto à acusação da professora Petta de ingenuidade por parte do grupo na apuração e a tentativa de “estratégia de marketing” por parte do diretor Elias Júnior no vazamento do filme Rota para a pirataria.

Nossa pauta questionava “Por que a fórmula de sucesso de Tropa de Elite não funcionou com Rota Comando?”. Um dos pontos levantados na nossa pesquisa e apuração foi o vazamento do filme de Elias Junior para a pirataria, que apesar de ter ajudado na promoção do longa-metragem resultou no fracasso comercial do filme. Quando digo fracasso comercial, entendam dentro do mercado formal cujas práticas são regidas pela legalidade – e isso está bem explicito no nosso texto:

“Todavia, Elias Júnior discorda dessa posição e acrescenta que o que faltou ao filme foi um ator “global” capaz de estimular o interesse tanto dos investidores quanto do público. “No começo tínhamos um ator de Malhação no elenco, mas na metade das filmagens ele não quis mais se envolver com a produção”, conta Júnior. Para ele, a pirataria que “ajudou” Tropa de Elite, atrapalhou Rota Comando. “Como no filme de Padilha, em algum momento do processo de distribuição o filme foi extraviado. Mas para ele não houve problemas maiores, pois com os incentivos ganhos o filme já estava pago e o dinheiro dos envolvidos estava garantido”, justifica o diretor”.

O diretor Elias Júnior, como explicamos no trabalho, realizou seu filme com um orçamento de 600 mil reais, tirados do próprio bolso, pois o filme não obteve patrocínio de empresas (cerca de 80 que ele tentou) e nem recebeu incentivos fiscais. Todos os atores trabalharam gratuitamente e os custos do filme são basicamente de produção e pós-produção.

Quando entrevistei Elias Junior em setembro nos fundos de sua casa no bairro do Jabaquara, que servem hoje como escritório para a sua empresa de filmagens, a HDV Filmes, ele me contou como a pirataria atrapalhou seus planos de cobrir os custos das filmagens. Seu objetivo era cobrir os custos das filmagens com o dinheiro da distribuição diretamente em DVD (dvds originais!!!), já que as empresas de exibição não se convenceram da possibilidade de sucesso nos cinemas.

A competição com o mercado pirata é injusta dentro dos preceitos legais e comerciais. Quantas gravadoras e artistas são vítimas do mercado pirata? Assim, como o vazamento proposital para a pirataria poderia ser um “golpe de marketing” ou estratégia eficiente para Elias Junior que se desfez de seus bens (carros e produtora de filmes) para realizar Rota Comando?

Se somos vítimas de uma mentira contada por ele, vamos expor como outros jornalistas formados e de publicações confiáveis, chegaram às mesmas conclusões sobre como a pirataria prejudicou Rota Comando.

A jornalista Débora Miranda, já citada, que também entrevistou Elias Júnior para o portal G1 apresenta os dados obtidos na matéria “Conheça versão paulista do Tropa de Elite: Rota Comando publicada no dia 22 de julho de 2009 às 15h34:

Conheça a versão paulista do Tropa de Elite: ‘Rota Comando’

22/07/2009 – 15h34 ( – G1)

Uma grande semelhança do seu filme com ‘Tropa de elite’ é a pirataria; ‘Rota comando’ já está sendo vendido nos ambulantes. O que você está tentando fazer com relação a isso?
Pois é. Eu investi dois anos nesse filme, fui sozinho até o final. Tentei recursos do governo, de empresas que trabalharam com ‘Tropa de elite’, e ninguém queria patrocinar. Todo mundo achou que seria um título polêmico, e ninguém queria vincular seu nome a ele. Entre dinheiro meu e empréstimos gastei quase R$ 600 mil. Fiz milagre para realizar esse filme. Me desfiz da minha produtora, de equipamentos, do meu carro. Achei que no decorrer das filmagens eu encontraria financiadores, e não foi isso o que aconteceu. E agora vai para a pirataria. No dia da minha pré-estreia, 7 de julho, já estava nas banquinhas.

Como você está comercializando o filme?

Mandei o DVD para alguns distribuidores e estou tentando colocar nas principais locadoras do país. Fiz um trailer chamativo, mas nenhuma distribuidora teve interesse, dizem que é filme nacional e sem atores globais. É frustrante. Fiz 20 mil DVDs e não consigo concorrer com a pirataria. No sábado (18) fui até a Santa Efigenia e vi que é absurdo o que eles fazem para vender. O camelô fica exibindo um DVD player e o filme rodando. Inclusive vi em uma barraca um cartaz que eu distribuí para locadora. Conversei com cinco ambulantes sem me identificar, e me disseram que a quantidade média de venda é entre 80 e 120 cópias por dia. Então, quebrou minhas pernas.

E quanto você já vendeu?
Aproximadamente 6 mil cópias. Agora preciso conseguir captar aquilo que eu gastei. Tenho muitas dívidas ainda, dívidas grandes.

Vejam a entrevista completa no link: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/07/114340conheca+a+versao+paulista+do+tropa+de+elite++rota+comando.html

Outro jornalista de Istoé, Ivan Cláudio, escreveu também uma matéria que responde plenamente às principais dúvidas colocadas pela professora Petta em sala. Além disso, a matéria de Ivan Cláudio reforça a certeza do grupo de que o veículo mais apropriado para a matéria seria a revista Istoé. Segue em sua totalidade:

Cinema
Sucesso paralelo
Lançado diretamente em DVD, o filme “Rota Comando” explode na pirataria com sua apologia à Polícia Militar

Pirataria é crime.” A frase está estampada na capa do filme “Rota Comando”, feito com câmera digital e colocado à venda diretamente em DVD nas lojas e locadoras. Nas 2h14 de duração, cenas de tráfico de drogas, sequestros, assassinatos e estupros alternam-se na trama que enaltece a ação da tropa da Polícia Militar de São Paulo conhecida como Rota – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar. A pirataria não foi abordada e nem é a maior preocupação desse batalhão, caracterizado pela disciplina e linha dura. Mas é justamente ela, a pirataria, que tem mais vitimado esse trabalho de estreia do paulista Elias Junior. Lançado com uma tiragem de 20 mil cópias, o DVD estacionou as suas vendas nos seis mil exemplares iniciais e transformou-se no maior hit dos camelôs de São Paulo. É mais procurado que o grande sucesso do gangsterismo atual, o thriller policial “Inimigos Públicos”, estrelado por Johnny Depp.

Numa pesquisa informal, Elias Junior contabilizou que a venda média diária de seu filme tem variado de 80 a 120 DVDs por barraca. Antes mesmo de estrear, no dia 8 de julho, ele já era encontrado nas esquinas. O diretor calcula que as cópias ilegais já ultrapassem o primeiro milhão de exemplares. Com isso, ele não conseguiu ainda reaver nem os R$ 550 mil que investiu do próprio bolso na produção. Baseado no livro de memórias de Conte Lopes, ex-oficial da PM e hoje deputado estadual (PTB-SP), “Rota Comando” segue a cartilha de “Tropa de Elite” até no uso da tortura para obter confissões. Mas está longe de possuir as mesmas qualidades cinematográficas: tirando as cenas de perseguições e tiroteios, na maior parte do tempo carece de boa encenação e de interpretações. É o filho bastardo do chamado favela movie.

Ivan Claudio

Confiram no link: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2073/artigo145607-1.htm

Dentro da apresentação desses FATOS, eu e meu grupo podemos ser acusados de “ingenuidade”? “Juntanto um, mais um, mais um..”, a professora Petta parece fazer esforço estúpido para não entender o que está claro e nos desrespeitar.

3. Quanto à atitude da professora Petta em sala e a minha opinião a respeito dela

Não creio que a professora Petta seja uma profissional capacitada para o ensino da matéria Jornalismo Básico III. Sua postura intolerante e vingativa não é apropriada para o exercício acadêmico e leva seus alunos a situações extremas e constrangedoras. Pergunto-me se foi dessa maneira que ela foi educada?

Não sou o único a ver isso dessa maneira, mas me responsabilizo pela minha opinião.

Se essa senhora pensa que o caminho da humilhação e do desrespeito aos alunos é o mais útil para a didática, só revela a sua frustração e o seu desgosto em ser professora. A Cásper Líbero, como instituição, perde a nobreza de seus ideais educacionais ao ter uma pessoa assim no seu corpo docente.

Tendo em vista a situação em que me encontro, não confio e nem respeito mais seus critérios de avaliação, assim como seu comportamento desprezível e pouco profissional na gestão do debate limpo e estritamente acadêmico.

Ela é, segundo o Manual do Aluno, obrigada a me fornecer todo material solicitado para a revisão de notas. Assim o farei caso me sinta prejudicado.

Atenciosamente,

Julio Lamas

No colinho do tio – Lista de Pedófilos Famosos

14/10/2009

“I love little girls/ They make me feel so…/Happy”  Oingo Boingo – Little Girls

Muito se disse sobre Roman Polanski essa semana e seu antigo processo de pedofilia. O mundo pede por perdão, cineastas e artistas fazem petições e escrevem manifestos de simpatia contra a sua condenação e extradição para os EUA.

Alguns como Michael Cieply do NY Times acreditam que se a notícia do polêmico affair com a menina de 13 anos se desse hoje seria muito pior, já que, desde a década de 1970, a percepção moral quanto à pedofilia muito foi alterada pelo senso comum. Senso comum que diz: “Sexo com crianças é errado, mas com animais só em alguns estados”.

Segundo JP Coutinho, talvez não exista limite ético para Polanski e um grande bocado de artistas e poderosos do mundo que pensam serem os criadores do próprio código ético e estarem tão acima da condição humana em que rastejam os mortais sem nenhum talento.

Mas sem entrar em méritos de Igreja Católica e Michael Jackson, bolei a minha lista de figuras favoritas, da vida real e da cultura pop, que tem o seu passado manchado por comportamentos subversivos com infantes:

Frederic Mitterand

O ministro da Cultura francês foi um dos primeiros a sair em defesa de Roman Polanski na Europa. O sobrinho do ex-presidente François Mitterand foi bombardeado com críticas e pedidos de afastamento do governo, quando a filha de Lê Pen apontou trechos de sua autobiografia nos quais ele admite seu desejo por rapazes mais jovens e confessa ter pago em dinheiro garotos na  Tailândia para fazer sexo.

Lewis_carroll
Alice

Lewis Carroll

O escritor britânico cujo nome verdadeiro era Charles Dodgson, era tão obcecado por uma garotinha de 4 anos de idade chamada Alicia Liddell, que seus pais “tiveram” que afastá-la dele. Ele se inspirou na menina para escrever seus dois famosos livros “Alice no País das Maravilhas” e “Através do Espelho”.

Chuck Berry

O pai do rock ‘n roll (ou devo dizer Deus?) foi preso em 1959 por se envolver com uma garota de 14 anos de idade que trabalhava no seu clube em Saint Louis. Ele foi condenado a cinco anos de prisão e ainda pagou uma multa de 5 mil dólares. Johnny B. Goode? Erro duplo, Chuck: Trabalho infantil e Pedofilia.

Arthur C. Clarke

O autor britânico que escreveu 2001: Uma odisséia no Espaço e estabeleceu uma visão de futuro não concretizada para toda uma geração, morou no Sri Lanka de 1956 até o final de sua vida em 2008. Lá ele viveu para praticar seus hobbies favoritos: fotografia, exploração submarina e comer menininhos de 12 anos. Opa! Meninhos de 12 anos? Sim,  tanto que em 1998 ele não recebeu a Ordem de Cavaleiro do Império na Inglaterra, porque o Príncipe Charles não queria dá-la. Boa Charles!

Thomas Mann

Morte em Veneza
Morte em Veneza

Em “Morte em Veneza”, Mann descreve como o protagonista Gustav Aschenbach se apaixona por Tadzio, um rapaz de 14 anos que está, assim como ele, de férias em Veneza. Sua extrema  admiração pelo rapaz o impede de se aproximar e conversar. Mas a sua busca no garoto é muito mais estética do que sexual. Aschenbach vê em Tadzio a perfeição de uma criação quase divina e escreve: “Não estava escrito que o sol desvia nossa atenção do intelectual para o sensível?”.


Marguerite Duras

Talvez mais do que Beauvior, Duras foi a verdadeira Sartre de saias. Fazia o que queria, pois essa era única forma de existencialismo que conhecia. A escritora do célebre roteiro Hiroshima Mon Amour de Alain Resnais, nasceu e morou  na Indochina antes de fazer carreira na França. Entre os 12 e 14 anos teve um caso com um rico comerciante chinês que depois virou personagem de seu livro mais famoso, “O Amante”, um clássico da pedofilia pop.

Xuxa

Possivelmente um dos vídeos mais polêmicos e proibidos da internet é o da Rainha pedindo para um súdito tocar inapropriadamente em suas partes íntimas no filme “Amor estranho Amor”. As falas do longa inspiraram a propaganda que Xuxa faria para a Monange anos depois no alto de sua celebridade: “Olha como eu sou macia… maciiiia… macia…”

Gary Glitter

É Glitter e ainda é famoso por ser o máximo do Glam Rock inglês. Hits sugestivos como “I Love You Love Me Love” e “Hello, Hello, I’m Back Again” marcaram a carreira desse astro da música e do abuso infantil. Se você é menor de idade no terceiro mundo, marque este nome porque o mundo está ficando pequeno para a fome desse senhor. Em 1999, ele passou quatro meses em uma prisão na Grã-Bretanha acusado de manter material com teor pornográfico infantil, até aí tudo bem. Em 2002, foi expulso do Camboja e em 2008, foi libertado de uma prisão vietnamita após três anos de prisão por tentativa de molestar duas meninas. Em antecipação a sua libertação , o governo das Filipinas declarou que o cantor não é bem-vindo no país.

Woody Allen

Woody Allen, Mia Farrow e Soon Li

Woody Allen, Mia Farrow e Soon Li

“Finalmente tive um orgasmo. Mas o médico me disse que era do tipo errado”. Talvez tenha sido mesmo, Woody. Meu herói pessoal e intelectual sempre será o senhor Alan Stewart Konigsberg, e não me abala o fato de ele ter ficado com a própria-filha. A pequena e, vale ressaltar, adotada Soon Li veio para a casa dele e de Mia Farrow aos sete e quando estava no colegial já rolava um affair entre os dois. Se pensarmos bem ele mesmo se antecedeu com Manhattan de 1979.

Humbert Humbert

Nabokov em Lolita é um gênio maligno da persuasão, desvirtuando o bom senso e dobrando os limites éticos. No primeiro parágrafo ele nos faz cair de paixão pela ninfeta Dolores Haze, a Lolita, de 12 aninhos. “Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta.”.

Paul Schaefer

Essa cara deveria ter escrito o livro “Minha Imagem Pública: As Boas escolhas que fiz”. No currículo, foi cabo no regime nazista, fugiu para a Argentina no final da guerra, comandou grupos de extermínio durante a ditadura Pinochet (1973-1990) no Chile e tem nas costas 27 acusações de pedofilia. Pedófilo e Nazista? Sim, ele perseguiu ativistas políticos, matou e ainda abusou de seus subversivos filhos. E não eram os comunistas os verdadeiros comedores de criancinha?

Jerry Lee Lewis

O pioneiro do piano no rock, um instrumento que não vingou no gênero. Inimigo mortal de Chuck Berry, Lewis chegou a botar fogo no piano antes do colega conseguir encerrar um show como estava programado. Rivalizou também na vida pessoal, a sua mulher e prima de segundo grau Myra Gale Brown tinha apenas 13 anos quando casou com o astro em 1958. O polêmico relacionamento acabou com a sua turnê britânica depois de apenas 3 shows. Nos EUA só voltou a fazer sucesso quando mudou para o country, coincidentemente o estilo preferido dos caipiras americanos nascidos de casamentos consangüíneos.

Mallu Magalhães
Mallu Magalhães

Marcelo Camelo

Não vou me aprofundar mais do que devo. Em 4 palavras e uma exclamação: Mallu Magalhães, dezesseis anos!

Gabriel Garcia Márquez

No seu livro, Memórias de Minhas Putas Tristes, Márquez narra com muito humor a comemoração dos 90 de um erudito senhor colombiano que se presenteia com uma virgem de 14 anos de idade. Assim que saiu a notícia de que a trama viraria filme a ONG Coalizão Regional Contra o Tráfico de Mulheres e Meninas na América Latina e Caribe (CATW-LAC) decidiu entrar com uma ação contra o Nobel de Literatura por apologia à prostituição infantil. Garcia Márquez sempre foi muito criticado por ser condescendente em seus livros com a prostituição.

Daniel Ortega

Daniel Ortega é um verdadeiro predador sexual. Contra os Contras, contra os Yankess, contra os latifúndios da Nicarágua, mas a favor do sexo contra a vontade. Quem dirá a pobre filha adotiva Zoilamérica Narváez, hoje uma socióloga de 44 anos. Em 2008, ela apresentou queixa à Justiça da Nicarágua acusando Ortega de abuso “contra” ela desde que tinha 11 anos, durando no total 20 anos de violação sistemática sob a vista grossa da mãe e do exército sandinista. Não só fez da filha escrava sexual como também levou 250 milhões de dólares dos cofres públicos – dois rombos.

We Know Major Tom is a Junky

02/10/2009

O cadáver de Michael Jackson já esfriou, mas muitas pessoas ainda estão com saudades do rei do pop. Eu nunca gostei dele e para ser sincero sempre tive medo da sua personalidade excêntrica de bicho-papão. Mas me dei conta de que existe algo pior do que ele, assustando gerações há mais tempo com seu comportamento pouco comum: David Bowie.

Então, alguns motivos para ter mais medo de David Bowie do que de Michael Jackson:

As muitas faces de DB nos anos de 1970

As muitas faces de DB nos anos de 1970

  1. Michael Jackson mudou o rosto cirurgicamente diversas vezes, tornando-se irreconhecível para os fãs ao longo da carreira – até branco ele ficou, mas sendo sempre o mesmo Michael amigo da garotada. Bowie, por sua vez, é conhecido como camaleão do rock, de Ziggy Stardust até o começo da década de 1990 com o visual mais sério de Tin Machine, ele mudou de cabelo e de personalidade mais vezes que um esquizofrênico maníaco-depressivo.
  2. Segundo os tablóides, Michael Jackson comprou os ossos do Homem-Elefante para ter como suvenir em sua casa. Já Bowie, pouco satisfeito, se tornou o Homem-Elefante, estrelando na montagem para a Broadway.
  3. Michael Jackson não tinha nariz, todo mundo sabe. E Bowie tem um olho de cada cor, porque um amigo lhe deu um soco por causa de uma namorada que ele pegou, claro.
  4. Michael se dizia heterossexual, mas provavelmente não cortava para lado nenhum. Bowie foi gay, hetéro, gay de novo, bissexual e hoje é apenas hétero.
  5. Michael Jackson fez parceria com o beatle mais bonzinho: Paul McCartney. Bowie cantou com os Rolling Stones (sem comentários), em parceria com John Lennon escreveu o hit Fame e ainda se associou em vaselina e voz com Freddy Mercury para gravar Under Pressure.
  6. Em Nerverland, Michael brincava com as criancinhas na montanha russa e no carrossel. Bowie, como rei dos duendes em Labirinto de 1987, raptou um bebê e ainda o usou para chantagear sua irmã de 13 anos, Jennifer Conolly, com o objetivo de ficar com ela.

    Michael bonitinho e pretinho

    Michael pretinho e bonitinho

  7. Michael Jackson criou seus filhos sem mãe. David Bowie, por sua vez, chamou ninguém menos que Iggy Pop para morar junto e ajudar a criar o filho durante a sua fase em Berlim (1976-1980). Em poucas palavras, uma experiência muito vantajosa para o desenvolvimento saudável de uma criança.
  8. As drogas mataram Michael Jackson. As drogas tornaram David Bowie mais divertido.
  9. Michael Jackson só comia criancinha. David Bowie come tudo o que se move.

Matisse ontem, hoje e amanhã

01/10/2009

Uma odalisca de Matisse na Pinacoteca

Uma odalisca de Matisse na Pinacoteca

A exposição Matisse Hoje, que estará aberta até o dia 8 de novembro na Pinacoteca do Estado de São Paulo, é o principal evento cultural organizado na comemoração do Ano da França no Brasil. Trata-se da maior exposição do artista até então no país, com 80 obras entre pinturas, estudos e algumas esculturas.

As obras do “mestre das cores” do Modernismo estão dispostas em ordem cronológica, ou seja, de acordo com o seu desenvolvimento como artista. Paralelamente, estão colocadas no percurso da mostra obras de artistas contemporâneos influenciados por Matisse (1869-1954), como Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard.

A primeira parte da exposição prepara os visitantes com instalações de Bart e Cuzin para o entendimento das primeiras obras do artista, concentradas no estudo do controle das linhas e da textura das cores. Na sala ao lado, “A ponte de Saint-Michel”  e seus auto-retratos feitos em placas de metal são um exemplo desse primeiro período artístico de Matisse, anterior a 1908 e o movimento Cubista.

Com a curadoria de Emile Ovaure, Philippe Richard aborda com sua instalação de setas coloridas e tridimensionais a questão do espaço e da cor, assim como Matisse, entre 1914 e 1925, estudou questões dos efeitos de luz, cor e espaço em suas obras. A esse ponto da exposição encontra-se  desenhos que estudam o domínio das formas curvílineas e pinturas que trabalham principalemente a perspectiva espacial, tais como o “Retrato de Mdme. Gougard” e “Interior em Nice”. As esculturas apesar de menos conhecidas dentro do acervo produzido por Matisse estão presentes nessa parte da exposição, especialmente por terem sido úteis no entendimentos da luz e das formas pelo artista.

A fase mais importante e conhecida do artista, que começa em 1917 e se estende até o final da década de 1930, reúne pinturas nas quais a cor e suas texturas ganham a originalidade autoral de Matisse. Quadros como o óleo “Odalisca com calça vermelha” e “Natureza-morta com Magnólia” são destacados, bem como os desenhos inspirados na sua mais conhecida modelo, Lorette – figurando em cenários orientais ou apenas em desenhos de seu torso. O uso do rosa e do vermelho nesse período consagrariam Matisse como o “artista do século XX”, segundo críticicos como Max Lieberman. Lucien e seus quadrados multi-coloridos, contextualizam visualmente com o artista francês.

A série de colagens Jazz – técnica adotada por Matisse até o final de sua vida – finaliza a exposição com uma explosão de cores e formas baseadas nas suas memórias de infância e afetivas. “Ícaro” e “Circo” são um exemplo de como a estética alegre e, ao mesmo tempo, agressiva de Matisse se mantém ao longo de seus anos de vida.

Tony Parsons: “Bang- Bang”

24/09/2009
Tony Parsons

Tony Parsons

Quando se sonha em ser o cronista da sua geração, é normal ir atrás de Balzac, Walt Whitman, Fitzgerald, Arthur Miller, Bellow…E, entre tantos, achar Tony Parsons, o jornalista do punk, é sempre uma agradável surpresa para o leitor desavisado. Digo mais, se eu não fosse eu, gostaria de ser Tony Parsons com o Sex Pistols numa balsa no Tamisa em pleno jubileu de ouro da rainha Elizabeth II, levando porrada da polícia ao som de Nevermind the Bullocks.

Além disso, conhecer os caras do The Clash quando não tinham dinheiro para comprar as passagens de volta para a casa, perguntar ao George Michael se ele de fato é um babaca, conversar sobre propaganda nazista com David Bowie, chamar a Kylie Minogue de “copo de leite desnatado” e tomar suco de laranja com Billy Idol é apenas um exemplo do que se encontra entre as célebres matérias de “Disparos do Front da Cultura Pop” – coletânea que reúne os melhores textos de Parsons para New Musical Express, Daily Mirror, Telegraph, etc.

Humor ácido e sutil ironia permeiam as opiniões e críticas de Parsons não apenas sobre música, mas também sobre a classe média inglesa (“a selva de polenta”), a classe operária (“a selva tatuada”), os mendigos de Londres e as fanzocas fáceis que acompanham os roqueiros.

Mas não se engane, Parsons não é um liberal pacífico e culto como a maioria dos colunistas ingleses, pelo contrário, é um conservador ferrenho. Para ele, por exemplo, mulheres bêbadas são indignas de atenção ou tratamento educado, a música ambiente é uma praga inventada por Brian Eno quando sua vitrola não funcionava e os hippies de hoje não são hippies são babacas que acreditam em vida extraterrestre e o poder curativo dos cristais.

Parsons: camarada dos Pistols

Parsons: camarada dos Pistols

Minha dica para quem se interessar é que não deixe de ler as reportagens sobre suas viagens para o Japão, União Soviética, Chicago, Houston e outras localidades. Uma visão distante e tipicamente inglesa das excentricidades comportamentais e culturais de diferentes povos, que para Parsons não poderiam – por mais remotos que fossem – estar livres da futilidade que é a cultura pop.

Who got talent? – Democracia e graffiti

09/09/2009
Graffiti de Banksy na cidade de Belém, na Cisjordânida. Vc apagaria este?

Graffiti de Banksy na cidade de Belém, na Cisjordânida. Vc apagaria este?

O Conselho Municipal de Bristol, na Inglaterra, pretende revolucionar os conceitos da arte de rua, colocando em referendo para os seus cidadãos a decisão de quais obras de graffiti devem ficar e quais devem ser apagadas dos espaços públicos. Como coloca o jornalista Florence Waters do Telegraph, é uma tentativa de implantar um sistema semelhante ao Britain’s Got Talent – o Ídolos inglês – na política pública para o graffiti.

Acredita-se que um pacto social como esse, entre Estado e artistas que tem a rua como estúdio de criação, promoveria amplamente a democratização do graffiti, entregando-lhes a decisão do que vale a pena ser mantido ou não nos muros da cidade. O objetivo é elevar o status dessa arte entre as parcelas da população que ainda vê o graffiti como uma manifestação invasiva, ilegal e de degradação urbana. Um modelo que poderia ser copiado em São Paulo, onde espaço e talento não faltam.

Mas a história de Bristol com o graffitti não é recente. Banksy, tido como um dos artistas mais influentes do graffiti mundial, é um orgulhoso filho destas terras civilizadas e coloridas pelo spray. Em referendo, seu índice de aprovação entre os moradores, segundo o Telegraph, é de 93% e sua exposição individual no Bristol Museum quebrou recordes de público, sendo a mais vista na Inglaterra em 2009. Os cidadãos fazem um provocativo convite àqueles que querem impressionar como Banksy: “Vamos ver o quanto sua arte é boa mesmo”.


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