Uma reposta à jornalista e professora da Cásper Líbero que coloca em seu blog:
“qüiproquó de hoje
O pior cego é
aquele que não quer ler”
Olá!
Pessoal, nesta semana meu grupo de reportagem para a Petta fez sua apresentação, como todos devem lembrar devido ao clima de animosidade que se instaurou no debate com a professora. Antes de qualquer coisa, me desculpem pelo meu comportamento impaciente e indignado. Saibam que em nenhum momento quis desrespeitar vossa opinião.
Contudo, não posso deixar de defender o bom trabalho do meu grupo perante as acusações de invenção e ingenuidade colocadas pela professora Petta para a toda sala. Acredito que fizemos um bom trabalho da criação da pauta à tentativa de uma apresentação em sala e tenho plena confiança nos dados apurados por mim e por meus colegas.
Neste e-mail mostrarei as evidências, referências e fontes nas quais estou baseando essa confiança. Trata-se de uma matéria apurada em cada detalhe e ponto discutido pela professora. Muitos desses dados foram checados mais de 3 vezes por mim em diferentes ocasiões. A primeira pesquisa que fiz foi para o trabalho de Radiojornalismo realizado para a professora Verinha. A segunda vez foi para montar o texto que vocês leram na terça-feira. E a última, depois da apresentação, quando liguei para alguns jornalistas que já publicaram matérias a respeito do filme Rota Comando e para o diretor Elias Junior para checar todos os dados passados por ele.
Portanto, não se trata de uma questão de sofismo acadêmico, prática cujos méritos reservo para a professora Petta e sua atitude em sala revestida de politicagem barata e mesquinha. São os fatos pelos fatos. Se vocês leram até aqui, peço que tenham um pouco mais de paciência, pois vou apresentar as provas da nossa certeza:
1. Trecho (em negrito) do nosso texto questionado por sua veracidade pela professora Petta:
“Depois do sucesso alcançado por capitão Nascimento, personagem principal de Tropa de Elite, o filme Rota Comando do diretor Elias Júnior chegou ao mercado dos DVDs piratas em julho deste ano sem escala nas salas cinemas. Mesmo assim, desde a sua produção o filme gerou grande expectativa entre o público e a imprensa – próxima a que podia ser sentida com a chegada de Tropa de Elite em 2007. No mercado informal, estima-se que o filme superou em vendas a animação infantil A Era do Gelo 3, filme em formato doméstico mais assistido do primeiro semestre deste ano. No entanto, em vez de ascender ao estrelato, parece que o fracasso bateu às portas da produção paulista.”
Colegas, obviamente não existe uma pesquisa formal que apresente dados precisos de vendas no mercado pirata de DVDs. Por esse motivo fizemos uso do termo estima-se, derivativo de estimativa. Segundo o dicionário de língua portuguesa Novo Aurélio em sua versão mais atualizada: “3. valor numérico do estimador, obtido a partir de uma determinada amostra empírica”.
Logo, como foi obtida essa amostra referente ao filme Rota Comando ao mercado pirata de DVDs? Simples, quando fiz minha primeira reportagem para o trabalho de Radiojornalismo, fui num sábado à tarde ao centro de São Paulo, mais especificamente ao Vale do Anhangabaú e perguntei a muitos camelôs sobre as vendas do filme Rota Comando. Obtive como resposta, muitas vezes, os valores de 80 a 100 cópias vendidas, em média, diariamente. O filme ultrapassa, de fato, a venda de Era do Gelo 3 no mercado informal naquele período.
Não sou o único, o primeiro, muito menos o último jornalista a fazer uma pesquisa, mesmo que informal, dessa maneira. A jornalista do caderno de Cotidiano da Folha de São Paulo, Laura Capriglione, com quem conversei na quinta-feira desta semana (29/10/09), utilizou do mesmo método de apuração para uma matéria sobre Rota Comando – na região da Santa Efigênia na manhã do sábado de 18 de julho de 2009. No domingo, dia 19 de julho, foi publicada a matéria sob o título “Filme que elogia a Rota vira hit em camelôs” na página C7. Transcrevo o lead do texto de Capriglione:
“‘Nós somos a verdadeira Tropa de Elite’, grita um soldado com a boina preta e o braçal da Rota no filme que, lançado há uma semana, já é responsável pela maior fatia de faturamento das bancas de DVDs piratas no centro de São Paulo (ganha inclusive do infatil ‘Era do Gelo 3’ – e época de férias)”
No link Rota Comando (Reportagem 16) vocês podem confirmar o mesmo.
Em outro jornal, o Diário Regional de Diadema (que inclusive teve seu nome e seus profissionais ridicularizados em sala pela professora Petta), a repórter Maria Helena Medina, utilizou o mesmo método de apuração para uma matéria publicada na sexta-feira 24 de julho de 2009 sob o título “Rota domina camelôs”. Abaixo o trecho, o lead de sua reportagem que corrobora a minha posição:
“Depois de Tropa de Elite agora uma outra produção, que só é encontrada em DVD, é sucesso nas férias de julho. Desbancando o novo Harry Potter, A Era do Gelo 3 e Transformers nas barracas dos camelôs de São Paulo, a produção Rota Comando – O Filme é o campeão de vendas do mês. A quantidade média comercializada entre os ambulantes fica entre 80 e 120 cópias por dia.”
No link Rota Comando (Reportagem 15), pode ser visto claramente.
Não o suficiente, tenho ainda uma terceira jornalista, Débora Miranda, do portal G1 (Leia-se GLOBO) que no dia 22 de julho de 2009 publicou às 11h28 a matéria “ ‘O trabalho da Rota sempre me fascinou’ diz diretor da versão paulista de Tropa”. Ela fez uso dos dados apurados por outros jornalistas de publicações sérias. No olho da matéria lê-se claramente:
“Lançado em DVD, Rota Comando mostra divisão de elite da PM. Produção independente de 600 mil virou hit nos camelôs de São Paulo”
A comprovação está na reportagem do G1.
Ciente dos fatos e das fontes que usei para fazer o trabalho de reportagem, como eu e meu grupo podemos ser acusado de inventar um fato e publicar uma mentira sem nos sentirmos ofendidos e constrangidos perante nossos colegas? Não queremos estar certos, ou errados. São os fatos que se colocam contra a renomada jornalista e autoridade em sala Rosangela Petta e expõem sua falta de razão e ignorância.
2. Quanto à acusação da professora Petta de ingenuidade por parte do grupo na apuração e a tentativa de “estratégia de marketing” por parte do diretor Elias Júnior no vazamento do filme Rota para a pirataria.
Nossa pauta questionava “Por que a fórmula de sucesso de Tropa de Elite não funcionou com Rota Comando?”. Um dos pontos levantados na nossa pesquisa e apuração foi o vazamento do filme de Elias Junior para a pirataria, que apesar de ter ajudado na promoção do longa-metragem resultou no fracasso comercial do filme. Quando digo fracasso comercial, entendam dentro do mercado formal cujas práticas são regidas pela legalidade – e isso está bem explicito no nosso texto:
“Todavia, Elias Júnior discorda dessa posição e acrescenta que o que faltou ao filme foi um ator “global” capaz de estimular o interesse tanto dos investidores quanto do público. “No começo tínhamos um ator de Malhação no elenco, mas na metade das filmagens ele não quis mais se envolver com a produção”, conta Júnior. Para ele, a pirataria que “ajudou” Tropa de Elite, atrapalhou Rota Comando. “Como no filme de Padilha, em algum momento do processo de distribuição o filme foi extraviado. Mas para ele não houve problemas maiores, pois com os incentivos ganhos o filme já estava pago e o dinheiro dos envolvidos estava garantido”, justifica o diretor”.
O diretor Elias Júnior, como explicamos no trabalho, realizou seu filme com um orçamento de 600 mil reais, tirados do próprio bolso, pois o filme não obteve patrocínio de empresas (cerca de 80 que ele tentou) e nem recebeu incentivos fiscais. Todos os atores trabalharam gratuitamente e os custos do filme são basicamente de produção e pós-produção.
Quando entrevistei Elias Junior em setembro nos fundos de sua casa no bairro do Jabaquara, que servem hoje como escritório para a sua empresa de filmagens, a HDV Filmes, ele me contou como a pirataria atrapalhou seus planos de cobrir os custos das filmagens. Seu objetivo era cobrir os custos das filmagens com o dinheiro da distribuição diretamente em DVD (dvds originais!!!), já que as empresas de exibição não se convenceram da possibilidade de sucesso nos cinemas.
A competição com o mercado pirata é injusta dentro dos preceitos legais e comerciais. Quantas gravadoras e artistas são vítimas do mercado pirata? Assim, como o vazamento proposital para a pirataria poderia ser um “golpe de marketing” ou estratégia eficiente para Elias Junior que se desfez de seus bens (carros e produtora de filmes) para realizar Rota Comando?
Se somos vítimas de uma mentira contada por ele, vamos expor como outros jornalistas formados e de publicações confiáveis, chegaram às mesmas conclusões sobre como a pirataria prejudicou Rota Comando.
A jornalista Débora Miranda, já citada, que também entrevistou Elias Júnior para o portal G1 apresenta os dados obtidos na matéria “Conheça versão paulista do Tropa de Elite: Rota Comando publicada no dia 22 de julho de 2009 às 15h34:
Conheça a versão paulista do Tropa de Elite: ‘Rota Comando’
22/07/2009 – 15h34 ( – G1)
Uma grande semelhança do seu filme com ‘Tropa de elite’ é a pirataria; ‘Rota comando’ já está sendo vendido nos ambulantes. O que você está tentando fazer com relação a isso?
Pois é. Eu investi dois anos nesse filme, fui sozinho até o final. Tentei recursos do governo, de empresas que trabalharam com ‘Tropa de elite’, e ninguém queria patrocinar. Todo mundo achou que seria um título polêmico, e ninguém queria vincular seu nome a ele. Entre dinheiro meu e empréstimos gastei quase R$ 600 mil. Fiz milagre para realizar esse filme. Me desfiz da minha produtora, de equipamentos, do meu carro. Achei que no decorrer das filmagens eu encontraria financiadores, e não foi isso o que aconteceu. E agora vai para a pirataria. No dia da minha pré-estreia, 7 de julho, já estava nas banquinhas.
Como você está comercializando o filme?
Mandei o DVD para alguns distribuidores e estou tentando colocar nas principais locadoras do país. Fiz um trailer chamativo, mas nenhuma distribuidora teve interesse, dizem que é filme nacional e sem atores globais. É frustrante. Fiz 20 mil DVDs e não consigo concorrer com a pirataria. No sábado (18) fui até a Santa Efigenia e vi que é absurdo o que eles fazem para vender. O camelô fica exibindo um DVD player e o filme rodando. Inclusive vi em uma barraca um cartaz que eu distribuí para locadora. Conversei com cinco ambulantes sem me identificar, e me disseram que a quantidade média de venda é entre 80 e 120 cópias por dia. Então, quebrou minhas pernas.
E quanto você já vendeu?
Aproximadamente 6 mil cópias. Agora preciso conseguir captar aquilo que eu gastei. Tenho muitas dívidas ainda, dívidas grandes.
Vejam a entrevista completa no link: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/07/114340conheca+a+versao+paulista+do+tropa+de+elite++rota+comando.html
Outro jornalista de Istoé, Ivan Cláudio, escreveu também uma matéria que responde plenamente às principais dúvidas colocadas pela professora Petta em sala. Além disso, a matéria de Ivan Cláudio reforça a certeza do grupo de que o veículo mais apropriado para a matéria seria a revista Istoé. Segue em sua totalidade:
Cinema
Sucesso paralelo
Lançado diretamente em DVD, o filme “Rota Comando” explode na pirataria com sua apologia à Polícia Militar
Pirataria é crime.” A frase está estampada na capa do filme “Rota Comando”, feito com câmera digital e colocado à venda diretamente em DVD nas lojas e locadoras. Nas 2h14 de duração, cenas de tráfico de drogas, sequestros, assassinatos e estupros alternam-se na trama que enaltece a ação da tropa da Polícia Militar de São Paulo conhecida como Rota – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar. A pirataria não foi abordada e nem é a maior preocupação desse batalhão, caracterizado pela disciplina e linha dura. Mas é justamente ela, a pirataria, que tem mais vitimado esse trabalho de estreia do paulista Elias Junior. Lançado com uma tiragem de 20 mil cópias, o DVD estacionou as suas vendas nos seis mil exemplares iniciais e transformou-se no maior hit dos camelôs de São Paulo. É mais procurado que o grande sucesso do gangsterismo atual, o thriller policial “Inimigos Públicos”, estrelado por Johnny Depp.
Numa pesquisa informal, Elias Junior contabilizou que a venda média diária de seu filme tem variado de 80 a 120 DVDs por barraca. Antes mesmo de estrear, no dia 8 de julho, ele já era encontrado nas esquinas. O diretor calcula que as cópias ilegais já ultrapassem o primeiro milhão de exemplares. Com isso, ele não conseguiu ainda reaver nem os R$ 550 mil que investiu do próprio bolso na produção. Baseado no livro de memórias de Conte Lopes, ex-oficial da PM e hoje deputado estadual (PTB-SP), “Rota Comando” segue a cartilha de “Tropa de Elite” até no uso da tortura para obter confissões. Mas está longe de possuir as mesmas qualidades cinematográficas: tirando as cenas de perseguições e tiroteios, na maior parte do tempo carece de boa encenação e de interpretações. É o filho bastardo do chamado favela movie.
Ivan Claudio
Confiram no link: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2073/artigo145607-1.htm
Dentro da apresentação desses FATOS, eu e meu grupo podemos ser acusados de “ingenuidade”? “Juntanto um, mais um, mais um..”, a professora Petta parece fazer esforço estúpido para não entender o que está claro e nos desrespeitar.
3. Quanto à atitude da professora Petta em sala e a minha opinião a respeito dela
Não creio que a professora Petta seja uma profissional capacitada para o ensino da matéria Jornalismo Básico III. Sua postura intolerante e vingativa não é apropriada para o exercício acadêmico e leva seus alunos a situações extremas e constrangedoras. Pergunto-me se foi dessa maneira que ela foi educada?
Não sou o único a ver isso dessa maneira, mas me responsabilizo pela minha opinião.
Se essa senhora pensa que o caminho da humilhação e do desrespeito aos alunos é o mais útil para a didática, só revela a sua frustração e o seu desgosto em ser professora. A Cásper Líbero, como instituição, perde a nobreza de seus ideais educacionais ao ter uma pessoa assim no seu corpo docente.
Tendo em vista a situação em que me encontro, não confio e nem respeito mais seus critérios de avaliação, assim como seu comportamento desprezível e pouco profissional na gestão do debate limpo e estritamente acadêmico.
Ela é, segundo o Manual do Aluno, obrigada a me fornecer todo material solicitado para a revisão de notas. Assim o farei caso me sinta prejudicado.
Atenciosamente,
Julio Lamas