Archive for janeiro \22\UTC 2009

Gump 2 in Tender is the Night

22/01/2009

Minha primeira impressão sobre “O Curioso Caso de Benjamin Button” foi de um filme impecável em todos os aspectos, interessante e divertido. Levantei da cadeira um fã da atuação da maquiagem de Brad Pitt. Mas conforme caminhava em direção a saída, não pude deixar de comentar a sensação de que já havia visto aquilo antes.

As palavras seguintes saíram com naturalidade: “Porra, até parece Forest Gump”. Eu sei que não fui único a pensar justamente nisso. Mas vou salientar algumas semelhanças.

1. Tanto Gump (Tom Hanks) quanto Button (Brad Pitt) são do sul dos EUA, tem sotaques parecidos e dizem “Mamaaa” do mesmo jeito anasalado;

2. Ambos possuem uma condição que limita seu relacionamento com outras pessoas, mas não os impede de desbravar o mundo e desenvolver seu potencial. Gump é deficiente mental, mas conhece alguns presidentes e John Lennon. Button tem setenta anos aos 17 e vive também a efervescência cultural de seu tempo;

3. Nos filmes, os dois tem dificuldade para caminhar. Gump usa muletas assim como Button e depois com um empurrão do destino deixam-nas de lado;

4. Nos filmes de David Fintcher e Ron Howard, os protagonistas passam parte de sua jornada em barcos: Gump pesca camarão e Button faz parte da tripulação de um rebocador.;

5. Os dois vivem guerras e perdem seus melhores amigos nelas. Gump perde Bubba (camarão com queijo, camarão no espeto, pastel de camarão) no Vietnam. Button perde o capitão do navio na Segunda Grande Guerra. Ambos aprendem algum significado de vida com seus amigos, como viver ao máximo e coisa do tipo.;

6. Gump e Button enriquecem rapidamente e com sorte de uma gente iluminada por Deus, de fato. Gump porque investiu o dinheiro do camarão numa tal de Apple – uma companhia que vende frutas, creio – e Button porque seu pai milionário reaparece e lhe deixa uma fábrica de botões (negócio atraente!);

7. Os pares românticos são conhecidos desde a infância pelos protagonistas dos filmes. Essas personagens são espirituosas, rebeldes e aventureiras, além de inspirarem as ditas ilíadas dos filmes.

The Curious Case of Forrest Gump

A diferença reside na qualidade do texto. Afinal “O Curioso Caso” vem de um conto de F. Scott Fitzgerald, tudo que cerca as personagens é um símbolo de ostentação, poder, luxo e acesso. Uma viagem a Paris é um pulinho para um americano rico e bonito. A essência de Fitzgerald, além de ter captado o zeitgeist de sua geração dourada, é de ter feito de sua obra um manual do estilo e do bom gosto. Por enquanto só li “Suave é a Noite” e “O Grande Gatsby”. Não tenho autoridade para falar muito mais que isso, mas o verão é longo e quente como em Cannes. Lendo, já me sinto um Dick Diver, elegante e charmoso, entre estrelas do cinema, casais ricos e pintores.

“Então é hoje que o ‘crioulo’ toma posse?”

22/01/2009

1. Foi na última terça-feira, na verdade. Mas ouvi a pergunta no mesmo dia, do que se pode chamar de um turco-taxista injuriado com o trânsito. Talvez pra ele não faça tanta diferença se o ‘crioulo’ tomou posse ou não, quer mais saber se o preço da numerada no Pacaembu pra ver o Corinthians no Paulistão vale a pena (Aaah R$150,00). Diretoria entenda como no discurso do homem: “estenderemos uma mão, se vocês abrirem os punhos”.

Como o taxista também me tornei indiferente depois do presente consumado. Explico. É difícil ligar para alguma coisa numa sociedade pós-racial, pós-moderna, pós-Bush. Obama é tão sério, íntegro e competente que rouba as melhores piadas, as melhores sensações de superioridade moral.

Sinto quase saudades do outro que nem domínio da oratória digna do cargo possuía. Até encerrar sua estadia na Pennsylvania Avenue 1.600, inspirou o simples e humano prazer de mostrar o que há de mais vil na alma humano: mentira, violência, corrupção, ignorância. Bush foi nosso Nixon (e mais), quando subiu no helicóptero esperei um aceno de 35 anos atrás, algo como o “chocalhar de um homem quebrado”. Um peixe morto, assim como descreveu Simon Winchester para o The Guardian em célebre reportagem de 1974.

Apontar defeitos em Bush nos engrandecia e daí tanta prosperidade em seu período. Podia-se fazer mal, só não se podia fazer pior que ele. Agora, nem isso. Não é puro cinismo do destino? O Nixon de Oliver Stone olha o retrato de Kennedy e diz: “Quando olham para ele, vêem o que gostariam de ser. Quando olham para mim, vêem o que são”.

Indiferente agora, mas ansiosamente feliz. Obama é nosso herói, como é Nelson Mandela, como foi Kennedy e, inclusive, Lady Di. Esse “crioulo” pode até vir a errar e demonstrar falhas de caráter como todos os outros, mas sua história e seu momento nas nossas vai minimizá-las por completo… Como todos os outros.

2. O regojizo se fez persona. Quem viu Obama apreciando seu concerto, acompanhou-no pelo menos em seu êxtase. Após o discurso de Feinstein, a cantora afro-americana Areta Franklin subiu ao palco e cantou a música “My country tis of thee”. Também realizaram apresentações artísticas os músicos Itzhak Perlman, Yo-Yo Ma, Gabriela Monteiro e Anthony McGill. Juntos, eles tocaram a canção “Air and Simple Gifts”.

“I’m gonna call you private Joker”

14/01/2009
"Sou uma pessoa de fácil convivio"

R. Lee Ermey: "Sou uma pessoa de fácil convívio"

"You can come to my house and fuck my sisters"
Norberto do BB9: “You can come to my house and fuck my sisters”

Você acompanha? Eu sei que só de vez em quando. Mas neste ano o BBB vem com novidades interessantes para a sua nova edição. Entre as aplicadas estudantes de Direito e os caras que se dizem empresários, a Globo agora vai prostituir a imagem de gente na “feliz idade” também. Como a desse tio acima, o Norberto.

Ele não lembra o sargentão interpretado por R. Lee Ermey em Full Metal Jacket (1987) do Stanley Kubrick?. Torço por ele. Que toque o terror por lá.

Envelopes, benditos envelopes

14/01/2009
Tava dificil de abrir, intende?

Tava difícil de abrir, intende?

Na noite de ontem, a Fifa promoveu em Zurique sua tradicional e óbvia entrega de prêmios para os destaques do futebol mundial em 2008. Em plena segunda-feira, creio eu, para não dividir a atenção com o entretenimento garantido da cerimônia do Golden Globe Awards realizada no dia anterior. Não sei, mas aposto que em uma das duas David Beckham foi.

Como esperado a jogadora Marta levou o seu terceiro prêmio na singela categoria de melhor jogadora do mundo. Em sua bruta feminilidade, ela até tentou forjar alguma modéstia, recebendo com humildade a honraria. Tentou chorar, os músculos que não permitiram. Se disse surpresa, mas a verdade é que ninguém jogou mais bola que a brasileira entre as mulheres em 2006, 2007 e 2008.

Cristiano Ronaldo, também levou o seu com alguma vantagem sobre os outros concorrentes, apresentado por um Pelé que em inglês é ainda mais engraçado. “The book is on the table, intende?”.

Eu ainda prefiro o Messi, mas não há como negar: quando se paga bem o português, ele joga muito. Basta ver sua temporada glorioso pelo Manchester United e sua pífia colaboração para a seleção patrícia. Seguro de si como é, tal mercenário inspira sempre mais inveja do que admiração. Cara chato, milionário e com gosto para carros. Como um Álvaro Garnero que possui talento para alguma coisa.

Mas apesar da simples continuidade natural da história em apontar os melhores, houve espaço para alguma emoção também. Quem assistiu ficou tenso com os envelopes que levavam os nomes. Dourados, os muito bem lacrados e nada práticos, tomaram segundos de sofrimento, como se algo estivesse errado. Pensei ali que um outro poderia ganhar. “Vai ver não é o Cristiano Ronaldo”, eu torcia calado. Era um rasga-rasga-essa-porra-não-quer abrir interminável, verdadeiro desespero. No fim a única coisa inesperada foi isso e a possível demissão de uma secretária com a saliva mais pegajosa que o normal.