Archive for the ‘Acontece no mundo’ Category

Brincando de Larry King

05/01/2011

King - 1000 anos de entrevistas

Algumas entrevistas que fiz para a Época em 2010 fizeram mais sucesso que outras. E uma coisa ficou óbvia, nem sempre o interesse jornalístico combina com o interesse do leitor. Por isso, seguem as mais importantes dos últimos 3 meses.

A que fiz com Joe Jackson foi marcante. A cada hora que passava ela ficava melhor e mais importante. Começou com um ping-pong na livraria Saraiva do Shopping Eldorado e terminou com um jantar no Figueira Rubaiyat.

Com Matthew Lewis da série Harry Potter ficou um convite no ar para jogar Fifa no Xbox.

A entrevista com Peter Hunt foi uma aula extracurricular, assim como a entrevista do Cid Moreira que naquele dia da entrevista teve 3 assuntos no seu Twitter: Os Salmos, Jesus e Julio Lamas.

Foi gostoso brincar de Larry King, mas chega de Época agora. O próximo post será uma exclusividade do Notas.

Entrevista com o especialista em Literatura Infantil Peter Hunt sobre o sucesso da série Harry Potter

Entrevista com o ator Matthew Lewis, o Neville Longbottom na versão de Harry Potter para os cinemas

Entrevista com Joe Jackson (pai de Michael Jackson) no lançamento do livro ‘O que realmente aconteceu a Michael Jackson’ de Leonard Rowe

Entrevista com Cid Moreira

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Entrevista – Rui Amaral

02/01/2011

Galera fã do NOTAS (oi pai, oi mãe!) segue uma entrevista minha com o artista Rui Amaral que estava na gaveta faz muito tempo. Foi feita em 2008 quando eu ainda estava pensando em fazer um documentário sobre graffiti. Em 2010, esse documentário virou realidade e é o “Graffiti – Arte Bruta”, um projeto produzido por mim, Felipe Gomide e Raphael Sassaki. Vou colocar aqui um link para dowload assim que puder.

Tenho que pedir desculpas a mim mesmo e a qualquer leitor ocasional (oi meninas que me acham bonitinho e tiveram curiosidade!) que por aqui passou em 2010, acreditando na promessa de frequêcia maior de posts feita ano no ano passado. Fiquei um ano sem postar, pois estava ocupado trabalhando no “Graffiti- Arte Bruta” e vendendo o talento para a revista Época – a segunda maior revista semanal do país. Por lá, trabalhei com o Juliano Machado na editoria de Internacional, com Paulo Moreira Leite (lenda viva!) na coluna “Vamos Combinar” e com Luís Antônio Giron na editoria de Cultura. Com todos aprendi muito, mas ainda guardo a impressão de que poderia ter feito mais. “Quando Neymar quer jogar, não falta ‘Dorivais’ para barrar”, um amigo uma vez me disse.

Tenho ótimas entrevistas desse período na Época. Vou postar algumas assim que o período de quarentena acabar.

2011 que venha…vou recompensar pelo tempo perdido e continuar a pagar os juros do tempo ganho.

 

Graffiti de Rui Amaral no "Buraco da Paulista"

Rui Amaral – Graffiti e Pixação, linguagem urbana

Considerado um dos mais influentes artistas do graffiti no Brasil, o multimidiático Rui Amaral integra o panteão da primeira geração da arte urbana em São Paulo, surgida no fim da década de 1970. Um criador inquieto e versátil, ele explorou diversas plataformas como a animação, a toy art e a produção de vídeos.

Formado pela FAAP em Artes Plásticas, Amaral teve exposição de seu trabalho na Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAC, MIS, Funarte e MAP, além de possuir obras suas no acervo do MASP.

Diretor-geral da agência Artbr (www.artbr.com.br), já realizou projetos de design gráfico, animação e produção de arte multimídia em parceria com a Rede Globo, Rede Bandeirantes de Televisão, o jornal O Estado de São Paulo, StarMedia, Nestlé, Instituto Sócio Ambiental, Swatch, entre outros. Trabalhou também na criação de sites para as agencias de publicidade DM9 e O2. Além disso, é responsável por workshops e oficinas de graffiti e intervenção urbana.

Suas obras pós-modernas, que remetem ao universo da imaginação infantil e da modernidade urbana, podem ser encontradas em diversos pontos da cidade, como a que está no “Buraco da Paulista” – túnel que liga a Avenida Doutor Arnaldo à Avenida Paulista – e foi tombada como patrimônio artístico pelo Estado. “A excelente qualidade da produção pessoal de Rui Amaral poderia levá-lo a caminhos já traçados pela maioria dos artistas plásticos, seus conterrâneos. Mas, ciente de seu papel social, Amaral atua, e com arte refaz não apenas cenograficamente, a sua cidade: São Paulo”, resume o crítico e historiador da Aica/Unesco João Spinelli.

Nesta entrevista ao NOTAS, ele conta sobre o seu trabalho, a valorização do graffiti brasileiro como arte no mundo e os obstáculos internos, como a Lei Cidade Limpa. Expõe também a sua opinião sobre pixação, novas tecnologias e a necessidade de estímulo a cultura.

NOTAS – Em 2008, a Prefeitura de São Paulo apagou acidentalmente um graffiti d’Os Gêmeos na Radial Leste, o que gerou muita polêmica com a Lei Cidade Limpa. Como você vê a relação entre a arte urbana e essa legislação em vigor na cidade de São Paulo?

Rui – Apesar dessa Lei, eu e muitos outros artistas estamos aos poucos estabelecendo um diálogo prolífico com as autoridades. Muitos espaços “nobres” foram abertos em toda cidade, pontos de ônibus e outdoors, por exemplo. Espaços que podem ser aproveitados pela arte de rua para revitalizar e criar uma cidade mais bonita com arte popular e integração social.

Porém, no lado negativo da questão, muitos trabalhos bons de artistas conceituados, como os Gêmeos, foram apagados, ou correm o risco de serem apagados. Por isso esse diálogo com as autoridades responsáveis como Andrea Mattarazo e Regina Monteiro tende a envolver questões relacionadas à formação desses agentes públicos, responsáveis pela execução da Lei. É preciso, creio eu, que haja participação desses agentes em oficinas e workshops de arte de rua, uma maneira de conscientizar sobre a sua importância e treinar o olhar para o que deve e o que não deve ser apagado pela tinta cinza. Eu e Os Gêmeos sugerimos algo nesse sentido para o Andrea Matarazzo e a Regina Monteiro, diretora do EMURB, como uma palestra para esclarecer melhor o assunto.

NOTAS – Já apagaram alguma obra sua?

Rui – Para você ter uma idéia de como isso acontece, pintamos os postes aqui na rua do meu ateliê apareceram agentes de fiscalização da [Lei] Cidade Limpa para apagar o trabalho. No mesmo momento fui conversar com o responsável e explicar para ele que aqueles desenhos não eram o que ele pensava. Trocando opiniões, ele entendeu e manteve. Inclusive ele mesmo contribui com alguns desenhos (risos).

NOTAS – Como um dos pioneiros da arte urbana em São Paulo e, consequentemente no Brasil, você vê a evolução da mesma ao longo dos anos?

Rui – É uma arte que surgiu do vanguardismo de artistas como Alex Vallauri e de grupos como o TupyNãoDá, do qual fiz parte, na década de 1980 e hoje passa por esse momento especial.

Vejo a evolução do graffiti muito relacionada como a evolução do skate, por exemplo, pois também foi um elemento na criação da cultura urbana que surgia na época em São Paulo. Quando jovem eu andava de skate com amigos nas ruas do Morumbi e tínhamos que jogar as pranchas em terrenos baldios sempre que a polícia passava por nós, justamente pra evitar que fossem confiscados. Hoje a cultura do skate é uma indústria absorvida pelo mercado, está envolvida na moda, nas artes gráficas, entre tantas outras coisas. O graffiti começa a passar por esse momento da absorção, da legitimação pelo mercado, a custo de muita iniciativa de artistas gráficos, como eu, além de projetos sociais que são realizados nas comunidades carentes, onde o graffiti e mesmo a pixação, são uma linguagem da realidade urbana vivida por eles.

NOTAS – Qual a importância do graffiti brasileiro no mundo?

Rui – Desde os anos 80, nossa arte tem chamado a atenção lá fora, o que começou com projetos em parceria com instituições como o Adido Cultura da França, galerias e museus na Europa que colocaram os artistas “brazucas” em destaque e atraíram mais gente olhando pra cá.

Eu sempre brinco que temos os “Ronaldinhos” da área. O maior exemplo atual são Os Gêmeos e o Nunca, os seus trabalho chegaram no Tate Modern Museum de Londres, em Nova York, em tantos lugares que são os sonhos de qualquer artista no mundo. Além deles, outros artistas foram responsáveis por essa consolidação mundo a fora do graffiti brasileiro e sua profissionalização, como eu,  Ozeas Duarte, Celso Gitahy, Maurício Villaça, Vado do Cachimbo, Nina, Titi Freak, Onesto, C.A.L.M.A, tantos que é uma injustiça não citar.

NOTAS – Que funções a arte urbana pode exercer diretamente na sociedade?

Rui – A arte urbana é democrática, porque é uma intervenção para a apreciação dos cidadãos de todas as classes sociais. Instiga, intriga e questiona, estimulando o “pensar a cidade” de maneira integradora. É uma ferramenta inteligente quando se trata de jovens, pois tem apelo entre aqueles que estão em busca cultura e querem aprender a fazer uma arte com a qual se identificam e que faz parte da sua realidade.  Além da cultura e da construção de um senso estético para o jovem carente.

Ontem, por exemplo, estive em cidade Tiradentes trabalhando com um projeto social para o graffiti. Uma líder comunitária me dizia o quanto é difícil fornecer uma ocupação cultural para aqueles jovens, a quantidade de jovens ociosos é impressionante em lugares de condições precárias é impressionante. O graffiti insere e cria uma porta de entrada ampla para o jovem que pode enveredar também para a fotografia, musica, computação gráfica, internet e comunicação.

NOTAS – Quais projetos seriam interessantes para ampliar essa essência integradora da arte?

Rui – Em São Paulo temos muitos projetos acontecendo, temos pontos de cultura que trabalham nesse sentido em diversas regiões, carentes ou não. Acho que algo nos moldes de um museu da arte urbana poderia potencializar esse efeito aglutinador, além de e estimular a pesquisa, a criação e a coordenação dos diversos projetos de grafite que já existem. Enfim, a construção de uma central da arte urbana em São Paulo que atuasse na divulgação do artista brasileiro que está nessa área, e fomentasse a carreira de iniciantes, incluindo aí os pichadores, por que não? É importante que uma idéia assim possa acontecer com a participação deles também, envolvendo os mais diversos tipos de linguagem e idéias, pois se trata de algo que nasceu popular e contestador.

NOTAS – Existe um limite entre a pichação, considerada contravenção penal devandalismo,e o grafite?

Rui – A origem do grafite é ilegal, a pichação que trata-se de uma arte ativista, com intenção de cutucar e contestar o poder publico. Mas hoje esse caminho da depredação é reprimido da maneira errada. Quem faz isso, o grafiteiro ou pichador de guerrilha, não está simplesmente vandalizando, está perguntando por que a cidade tem que ser cinza, por que tantos problemas sociais e desigualdade onde vive.  Uma ação que combate, que bate de frente com outras pessoas é sempre um pouco complexa, por não se entender os motivos por trás disso.

NOTAS – Como valorizar esta arte?

Rui – Pra mim, como artista já reconhecido dentro da arte urbana, passou o momento da guerrilha. Durante a minha carreira criei diálogos e abri canais que tiram um pouco dessa força. Não sou um purista, acho que tudo pode ser entendido com o tempo, o grafite já foi incorporado, a pichação também pode vir a ser.

Apoio a sua valorização como arte até por ser uma entrada para a linguagem e a realidade desses jovens. O modernista Oswald de Andrade resumiu bem isso que estou tentando dizer quando escreveu que “A massa ainda comerá o biscoito fino que fabrico”.

NOTAS – O poder público tem contribuído para esta valorização?

Rui – Dentro do possível, sim. Mas é preciso criar mais oportunidades para o jovem que se interessa por arte urbana, inserir ele numa infra-estrutura bacana com atenção para as condições precárias em que ele vive e partir para ações que embelezem e revitalizem o espaço público. Tanto quem faz, como quem gosta do graffiti quer ver arte e cultura por toda a cidade, reviver um pouco do sentimento que foi vivido na Belle Époque francesa, quando a inovação podia ser encontrada livremente. Contribui para o mundo e contribui para o mercado. Mas para que isso aconteça é preciso qualificação de muitos jovens para aprender a fazer pintura. Um lugar que formasse profissionais para fazer esse serviço, pois a arte urbana é uma arte de massas e tem um mercado crescendo.

Quando digo das massas, penso na mesma justificativa que o Grupo Santa Helena de utilizava na década de 1930. Eles tinham como objetivo ser um grupo da arte operária, uma arte das massas, exatamente onde o graffiti nasceu e evoluiu.

NOTAS – Quais são as tendências no futuro da arte urbana?

Rui – Cara, aposto muito na internet, nas novas tecnologias, ferramentas fantásticas que vão “linkar” tudo e potencializar demais as atenções na arte em geral. O graffiti tem muito espaço de ação com a webart na rede. Eu mesmo já fiz sites, animações e logos para internet, além do meu próprio site, o Artbr (www.artbr.com.br) que agrega notícias sobre o meu trabalho e diversas ações de publicidade de projetos do meio cultural e artístico. E-learning também é uma alternativa que se abre com a banda-larga, sou um dos coordenadores junto a Fundação Hermínio Ommeto na segunda experiência brasileira de tentar concretizar esse projeto com a produção diária de vídeos para mais de 400 alunos.

Papai Noel de primeira viagem

23/12/2009

Me diverti fazendo uma boa ação, mas devo admitir que Papai Noel com 1,90 m de altura e magrelo do jeito que sou não engana ninguém. “Poxa Papai Noel, desde quando você usa brinco na orelha e é tão alto assim? “, perguntou um bom observador.

Eu: o Papai Noel que não engana ninguém

O que valeu de tudo isso foi abraçar e ser abraçado com uma sinceridade e uma ternura que me colocaram no faz-de-conta também.

Obrigado a todos que comentaram no Notas em 2009 e apoiaram este projeto. Em 2010 vou trabalhar na Editora Globo e cuidar de TCC, mas não se preocupem que a frequência de posts vai aumentar.

Bom Natal e Feliz Ano Novo!

Dona Bia (minha vó) só me coloca em enrascada, hein?

Who got talent? – Democracia e graffiti

09/09/2009
Graffiti de Banksy na cidade de Belém, na Cisjordânida. Vc apagaria este?

Graffiti de Banksy na cidade de Belém, na Cisjordânida. Vc apagaria este?

O Conselho Municipal de Bristol, na Inglaterra, pretende revolucionar os conceitos da arte de rua, colocando em referendo para os seus cidadãos a decisão de quais obras de graffiti devem ficar e quais devem ser apagadas dos espaços públicos. Como coloca o jornalista Florence Waters do Telegraph, é uma tentativa de implantar um sistema semelhante ao Britain’s Got Talent – o Ídolos inglês – na política pública para o graffiti.

Acredita-se que um pacto social como esse, entre Estado e artistas que tem a rua como estúdio de criação, promoveria amplamente a democratização do graffiti, entregando-lhes a decisão do que vale a pena ser mantido ou não nos muros da cidade. O objetivo é elevar o status dessa arte entre as parcelas da população que ainda vê o graffiti como uma manifestação invasiva, ilegal e de degradação urbana. Um modelo que poderia ser copiado em São Paulo, onde espaço e talento não faltam.

Mas a história de Bristol com o graffitti não é recente. Banksy, tido como um dos artistas mais influentes do graffiti mundial, é um orgulhoso filho destas terras civilizadas e coloridas pelo spray. Em referendo, seu índice de aprovação entre os moradores, segundo o Telegraph, é de 93% e sua exposição individual no Bristol Museum quebrou recordes de público, sendo a mais vista na Inglaterra em 2009. Os cidadãos fazem um provocativo convite àqueles que querem impressionar como Banksy: “Vamos ver o quanto sua arte é boa mesmo”.

25 de junho, um dia que não acabou…ainda

25/06/2009
Oiticica: Estranheza no que parece certo

Oiticica: Estranheza no que parece certo

No meu orkut no dia 25 de junho de 2009

“Sorte de hoje: Estude como se você fosse viver para sempre. Viva como se você fosse morrer amanhã”

Há dias como este, que ainda não acabou, em que o sentimento do mundo parece “torto”. Um caos controlado como uma composição de quadrados de Hélio Oiticica, incomodando a minha visão, desconfortando a minha alma, extravasando alguma energia negativa que só os mais sensíveis parecem sentir no ar, como um cheiro ou um zumbido no ouvido.

Acordei hoje e me preocupei em realizar todas as minhas tarefas para a semana de provas da Cásper Líbero e  até às 15h tudo seguia o seu rumo aos trancos e barrancos.

1.Recebo um e-mail de uma amiga que aqui transcrevo:

“Oi, pessoal!
Tudo bem?
Tive, hoje, a confirmação de que peguei gripe suína.  Recebi várias instruções da Vigilância Epistemológica e gostaria de avisar a todos vocês que tiveram contato comigo nesta segunda-feira o seguinte:
Se alguém apresentar sintomas como febre, tosse, dores no corpo, de cabeça ou nos olhos, é importante que se dirija ao Emílio Ribas, na Av. Dr. Arnaldo, para fazer o exame, informando que teve contato com uma pessoa confirmada. O exame é simples (suabnasal), o resultado sai em 48 horas e a medicação é fornecida por eles.
Em caso de suspeita forte, serão recomendados 10 dias de isolamento.
Ok?
Espero que todos estejam bem!
abraços (de longe) sem beijos”
Claro que na segunda feira dividi uma latinha de coca com essa mesma menina. E agora posso ter gripe suína, ótimo! Minhã mãe ainda não sabe mas já saiu na Folha de São Paulo. E Nesse fim de semana tenho um programa agendado: Turismo no Emílio Ribas.
Logo, um comunicado da faculdade. Férias antecipadas e os trabalhos que fiz para hoje ficam para o mês que vem. Mas o que mais me incomoda é ela ter escrito “epistemológica” e não “epidemológica”. Se existe a tal vigilancia epistemológica é para assegurar que todos os cidadãos estão cientes dos avanços na teoria do conhecimento e nos trabalhos filosóficos que se referem às categorias mentais e os processos funcionais do pensamento. Ainda bem, porque não suporto quem não entende de metafísica neo-kantiana. Agora sim, me sinto mais seguro.
 
 

Caso morra como serei lembrado? Por esse post ou por ser um rapaz bonito?

2. A Morte de Michael Jackson, 50

Michael Jackson’s heart…Beat it, beat it! And then beat it no more. E no mesmo dia em que morreu a Farrah Fawcett, 62. Tamanha a comoção que o Twitter pediu “pára o mundo que eu quero descer”: Twitter is over capacity. Too many tweets! Please wait a moment and try again.

A primeira coisa que fez quando chegou no céu foi perguntar: E o menino Jesus, cadê?

 

E como será lembrado? Como inventor do moonwalk ou monstro do armário?
3. Gugu foi para Record

Para alguns parece que os anos 80 acabaram hoje.
Como será lembrado? Entrevista falsa com o PCC ou salário mensal de 3 milhões de reais?

 

A Coruja de Minerva

22/06/2009
Contra a Guerra do Vietnã: Jan Rose Jasmir em 1966

Contra a Guerra do Vietnã: Jan Rose Jasmir em 1966

“Os mais humanos não fazem a revolução. Eles fazem bibliotecas.” Jean-Luc Godard, cineasta e crítico

Caso 1

Há 45 dias a Universidade de São Paulo está em greve. Como fruta da estação, sempre no mês de maio, funcionários, professores e alunos da instituição param suas atividades para discutir verbas, políticas e ideologias. Na pauta de reivindicações deste ano estão reajustes salariais, abertura de cursos a distancia e a readmissão de um funcionário, Claudionor Brandão, afastado, inclusive, por assédio sexual. Aparentemente, elementos que não seriam o suficiente para fazer de um símbolo do ensino superior brasileiro um cenário de presídio rebelado, como o que foi visto pela televisão no último dia 9.

Mas a combinação do poder de mobilização de um líder sindical que só poderia ser Claudionor Brandão, uma reitoria indisposta para as negociações e a presença de uma força policial violenta que nunca entendeu direito o conceito de “autonomia universitária” só poderia resultar no que se viu, ou seja, em gente que ganha pouco batendo em gente que ganha menos ainda. Um vexame das autoridades que revestiu de legitimação a greve que parou as aulas na maioria dos cursos da USP.

No poema “De quem a Culpa?” de Victor Hugo, alguém pergunta indignado ao incendiário de uma biblioteca porque cometera um crime tão infame contra a razão, a tolerância, enfim, os valores mais nobres de nossa humanidade.  O culpado responde em um tom que não se pode distinguir entre a vergonha e o orgulho: “Eu não sei ler!”.

Dessa mesma maneira, responde a polícia militar quando bate na torcida, bate no menor de rua, bate no estudante e no professor da USP. Para o policial militar mal treinado, mal pago e sem paciência para as reclamações dos “filhinhos de papai” da universidade, só existe o dever a ser cumprido. Mesmo com flores no cano do fuzil ele atiraria em Jan Kasmir se assim ordenassem.

Se antes havia estudantes e professores contra a greve, perceptivelmente em maior número, não se pode dizer isso depois das bombas de efeito moral, das lágrimas e das balas de borracha.

Caso 2

Situação similar a da USP hoje, vive um país como o Irã nesta semana, que saiu às ruas para protestar contra uma eleição decidida nas cúpulas dos aiatolás e só precisou do povo para parecer justa aos olhos dos estrangeiros.

O povo quer um moderado como Mousavi, já os líderes querem Ahmadinejad, alguém capaz de entregar a mensagem de ordem e fundamentalismo islâmico para a nação e para o mundo. Lá, a polícia, em termos de tratamento dos civis, é como a nossa. Assim, uma pessoa morreu, várias ficaram feridas e muitos foram presos.

Nos dois casos foi preciso que a biblioteca fosse queimada para despertar a indignação. Na USP para se lembrar como as coisas são no final das contas e, no Irã, para entender que se pode escolher a liberdade. Kant estava certo quando escreveu que a coruja de Minerva, deusa da sabedoria, só alça vôo quando é tarde demais, sempre ao anoitecer.

Santa cuca fresca

18/02/2009

Hoje o papa Bento XVI, grande fã de histórias engraçadas da inquisição, teologia da fé e programas de abstenção sexual se mostrou com a cuca quente na praça de São Pedro, pedindo mais união dos povos.  O  solidéu ficou sabendo e decidiu fugir durante o sermão.

Papa: tentativa fracassada de passar imagem carismática

Papa: tentativa fracassada de passar imagem carismática


*Post com a colaboração criativa e produtiva da excelentíssima Natália Nambara, diretora artística do Notas.

Ixalá, que bomba?

04/02/2009

O Irã se prepara para mais uma eleição “democrática” nos próximos meses. Ao que parece na Terra dos Aiatolás duas escolhas possíveis já se formam no horizonte eleitoral. Entre o reformista do baixo clero Mohammad Khatami – presidente entre 1997 e 2005 – e o atual capeta da política internacional Mahmoud Ahmadinejad, que conta com o apoio do chefe-máximo aiatolá Khameini, a disputa se dará entre dois candidatos de perfis opostos e populares.

No mundo católico, o embate seria algo equivalente a padre Macerlo Rossi contra Bento XVI. Ahmadinejad tende a dar fôlego para o projeto de desenvolvimento nuclear, a predominância ultraconservadora nos costumes e manter o possível financiamento de milícias no Iraque e no Afeganistão. Já Khatami, a boa escolha na minha opinião, defende as melhores idéias do mundo civilizado: liberdade de expressão, relações diplomáticas justas com a União Européia e com a Ásia, mercado livre e liberal com investimento estrangeiro e , de quebra, direitos civis nos moldes ocidentais.

Agora, se você diz que essas idéias não são muito populares por lá, já lhe digo, amigo…Quando foi eleito pela primeira vez, Khatami arrebanhou nada mais, nada menos, que 70% dos votos. Mas o que atrapalhou na primeira vez foi a linha-dura que está hoje nos noticiários prometendo: “Não faremos uma bomba nuclear”. Que o efeito Obama se dê por lá também, quem sabe assim uma era de paz para arrumar a casa.

Está um pouco desatualizado. Mudam alguns atores mas a cena é sempre a mesma por enquanto, pela descontração:

Semana que vem: Tenho sido paparicado com doces, tortas e quitutes nos últimos dias será que a culpa de uma traição está sendo compensada com comida? Os manjares e o jeito sexy da chef fatale merecem um post grande e ilustrativo, mas espero o teste final da torta de chocolate. Até!

“Então é hoje que o ‘crioulo’ toma posse?”

22/01/2009

1. Foi na última terça-feira, na verdade. Mas ouvi a pergunta no mesmo dia, do que se pode chamar de um turco-taxista injuriado com o trânsito. Talvez pra ele não faça tanta diferença se o ‘crioulo’ tomou posse ou não, quer mais saber se o preço da numerada no Pacaembu pra ver o Corinthians no Paulistão vale a pena (Aaah R$150,00). Diretoria entenda como no discurso do homem: “estenderemos uma mão, se vocês abrirem os punhos”.

Como o taxista também me tornei indiferente depois do presente consumado. Explico. É difícil ligar para alguma coisa numa sociedade pós-racial, pós-moderna, pós-Bush. Obama é tão sério, íntegro e competente que rouba as melhores piadas, as melhores sensações de superioridade moral.

Sinto quase saudades do outro que nem domínio da oratória digna do cargo possuía. Até encerrar sua estadia na Pennsylvania Avenue 1.600, inspirou o simples e humano prazer de mostrar o que há de mais vil na alma humano: mentira, violência, corrupção, ignorância. Bush foi nosso Nixon (e mais), quando subiu no helicóptero esperei um aceno de 35 anos atrás, algo como o “chocalhar de um homem quebrado”. Um peixe morto, assim como descreveu Simon Winchester para o The Guardian em célebre reportagem de 1974.

Apontar defeitos em Bush nos engrandecia e daí tanta prosperidade em seu período. Podia-se fazer mal, só não se podia fazer pior que ele. Agora, nem isso. Não é puro cinismo do destino? O Nixon de Oliver Stone olha o retrato de Kennedy e diz: “Quando olham para ele, vêem o que gostariam de ser. Quando olham para mim, vêem o que são”.

Indiferente agora, mas ansiosamente feliz. Obama é nosso herói, como é Nelson Mandela, como foi Kennedy e, inclusive, Lady Di. Esse “crioulo” pode até vir a errar e demonstrar falhas de caráter como todos os outros, mas sua história e seu momento nas nossas vai minimizá-las por completo… Como todos os outros.

2. O regojizo se fez persona. Quem viu Obama apreciando seu concerto, acompanhou-no pelo menos em seu êxtase. Após o discurso de Feinstein, a cantora afro-americana Areta Franklin subiu ao palco e cantou a música “My country tis of thee”. Também realizaram apresentações artísticas os músicos Itzhak Perlman, Yo-Yo Ma, Gabriela Monteiro e Anthony McGill. Juntos, eles tocaram a canção “Air and Simple Gifts”.