Archive for the ‘Império e Imperadores’ Category

Operación Pandemia

18/08/2009

O vídeo Operação Pandemia de Joaquín Arrieta é o novo hit conspiratório do Youtube e pode até ser tachado de sensacionalista. Ele não afirma e nem confirma substancialmente, apenas deixa implicito na apresentação plausível de fatos: as gripes suína e aviária são uma invenção do marketing das empresas de remédios para vender mais produtos.

Claro que não, certo? Pois não é nada suspeito Donald Rumsfeld, o secretário de Defesa do primeiro governo Bush – o homem que invadiu o Iraque, vendeu e terceirizou toda uma guerra, dos soldados aos seus zippos – ser também um alto executivo encarregado das estratégias da Gilead Sciences a dona da patente do Tamiflu, remédio distribuído pela farmacêutica Roche e altamente recomendado no tratamento contra as gripes aviária(H5N1) e suína (H1N1).

Apesar de ele estar lucrando absurdamente com a valorização das ações da empresa, deve ser coincidência, óbvio. Não existe tal coisa como gênios do mal. Mas a sensação de que qualquer coisa que tenha Rumsfeld, Cheney e Bush envolvidos não cheira bem, pelo menos é real. Nada mal para um projeto portenho de Michael Moore.

“Então é hoje que o ‘crioulo’ toma posse?”

22/01/2009

1. Foi na última terça-feira, na verdade. Mas ouvi a pergunta no mesmo dia, do que se pode chamar de um turco-taxista injuriado com o trânsito. Talvez pra ele não faça tanta diferença se o ‘crioulo’ tomou posse ou não, quer mais saber se o preço da numerada no Pacaembu pra ver o Corinthians no Paulistão vale a pena (Aaah R$150,00). Diretoria entenda como no discurso do homem: “estenderemos uma mão, se vocês abrirem os punhos”.

Como o taxista também me tornei indiferente depois do presente consumado. Explico. É difícil ligar para alguma coisa numa sociedade pós-racial, pós-moderna, pós-Bush. Obama é tão sério, íntegro e competente que rouba as melhores piadas, as melhores sensações de superioridade moral.

Sinto quase saudades do outro que nem domínio da oratória digna do cargo possuía. Até encerrar sua estadia na Pennsylvania Avenue 1.600, inspirou o simples e humano prazer de mostrar o que há de mais vil na alma humano: mentira, violência, corrupção, ignorância. Bush foi nosso Nixon (e mais), quando subiu no helicóptero esperei um aceno de 35 anos atrás, algo como o “chocalhar de um homem quebrado”. Um peixe morto, assim como descreveu Simon Winchester para o The Guardian em célebre reportagem de 1974.

Apontar defeitos em Bush nos engrandecia e daí tanta prosperidade em seu período. Podia-se fazer mal, só não se podia fazer pior que ele. Agora, nem isso. Não é puro cinismo do destino? O Nixon de Oliver Stone olha o retrato de Kennedy e diz: “Quando olham para ele, vêem o que gostariam de ser. Quando olham para mim, vêem o que são”.

Indiferente agora, mas ansiosamente feliz. Obama é nosso herói, como é Nelson Mandela, como foi Kennedy e, inclusive, Lady Di. Esse “crioulo” pode até vir a errar e demonstrar falhas de caráter como todos os outros, mas sua história e seu momento nas nossas vai minimizá-las por completo… Como todos os outros.

2. O regojizo se fez persona. Quem viu Obama apreciando seu concerto, acompanhou-no pelo menos em seu êxtase. Após o discurso de Feinstein, a cantora afro-americana Areta Franklin subiu ao palco e cantou a música “My country tis of thee”. Também realizaram apresentações artísticas os músicos Itzhak Perlman, Yo-Yo Ma, Gabriela Monteiro e Anthony McGill. Juntos, eles tocaram a canção “Air and Simple Gifts”.