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Matisse ontem, hoje e amanhã

01/10/2009

Uma odalisca de Matisse na Pinacoteca

Uma odalisca de Matisse na Pinacoteca

A exposição Matisse Hoje, que estará aberta até o dia 8 de novembro na Pinacoteca do Estado de São Paulo, é o principal evento cultural organizado na comemoração do Ano da França no Brasil. Trata-se da maior exposição do artista até então no país, com 80 obras entre pinturas, estudos e algumas esculturas.

As obras do “mestre das cores” do Modernismo estão dispostas em ordem cronológica, ou seja, de acordo com o seu desenvolvimento como artista. Paralelamente, estão colocadas no percurso da mostra obras de artistas contemporâneos influenciados por Matisse (1869-1954), como Cécile Bart, Christophe Cuzin, Frédérique Lucien, Pierre Mabille e Phillipe Richard.

A primeira parte da exposição prepara os visitantes com instalações de Bart e Cuzin para o entendimento das primeiras obras do artista, concentradas no estudo do controle das linhas e da textura das cores. Na sala ao lado, “A ponte de Saint-Michel”  e seus auto-retratos feitos em placas de metal são um exemplo desse primeiro período artístico de Matisse, anterior a 1908 e o movimento Cubista.

Com a curadoria de Emile Ovaure, Philippe Richard aborda com sua instalação de setas coloridas e tridimensionais a questão do espaço e da cor, assim como Matisse, entre 1914 e 1925, estudou questões dos efeitos de luz, cor e espaço em suas obras. A esse ponto da exposição encontra-se  desenhos que estudam o domínio das formas curvílineas e pinturas que trabalham principalemente a perspectiva espacial, tais como o “Retrato de Mdme. Gougard” e “Interior em Nice”. As esculturas apesar de menos conhecidas dentro do acervo produzido por Matisse estão presentes nessa parte da exposição, especialmente por terem sido úteis no entendimentos da luz e das formas pelo artista.

A fase mais importante e conhecida do artista, que começa em 1917 e se estende até o final da década de 1930, reúne pinturas nas quais a cor e suas texturas ganham a originalidade autoral de Matisse. Quadros como o óleo “Odalisca com calça vermelha” e “Natureza-morta com Magnólia” são destacados, bem como os desenhos inspirados na sua mais conhecida modelo, Lorette – figurando em cenários orientais ou apenas em desenhos de seu torso. O uso do rosa e do vermelho nesse período consagrariam Matisse como o “artista do século XX”, segundo críticicos como Max Lieberman. Lucien e seus quadrados multi-coloridos, contextualizam visualmente com o artista francês.

A série de colagens Jazz – técnica adotada por Matisse até o final de sua vida – finaliza a exposição com uma explosão de cores e formas baseadas nas suas memórias de infância e afetivas. “Ícaro” e “Circo” são um exemplo de como a estética alegre e, ao mesmo tempo, agressiva de Matisse se mantém ao longo de seus anos de vida.

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